Tribuna do Leitor

Todos pela educação?


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Ao contrário de muitos graduados, não gosto muito de recordar meu árduo tempo na universidade. Porém, ao ler a opinião da leitora Rosyete Suely da Rocha, intitulada “Universitários e moradia de graça”, foi inevitável não me lembrar das aulas de teoria da literatura, ministrada pelo dedicado professor José Carlos Zamboni, da Unesp, campus de Assis, em que, durante muitas de suas aulas, discutimos o que de fato era uma universidade.

O conceito de universidade (universalidade) tem se reduzido à formação cada vez mais especializada dos profissionais que por ela passam. Nas universidades medievais, os estudantes tinham contato com as chamadas artes preparatórias ou artes liberais, como a gramática, a retórica, a lógica, a música e a astronomia, para depois entrar em contato com os estudos mais específicos. É claro que, durante minha formação, não passei por todos esses estudos, mas se quisesse assistir a uma aula do curso de psicologia ou do curso de história, por exemplo, era só conversar com o professor da disciplina. Para que isso fosse possível, não trabalhei os quatro anos em que estive na Universidade.

Através dos programas de apoio ao estudante, como bolsa e moradia, pude me manter e ter acesso a uma educação de qualidade. É claro, foi por opção ter uma formação integral, mas de forma alguma chamaria isso de “privilégio”, já que nada me foi concedido, tudo foi conquistado por mérito aos meus 11 anos de estudo em escola pública.

Infelizmente faltou-me persistência para prosseguir meus estudos de mestrado e, quem sabe, de doutorado. Admiro os que continuam passando por muitas privações para seguir carreira acadêmica. Eu, talvez, tenha “morrido na praia”, não agüentei “nadar” contra todas as dificuldades que rondam um pós-graduando no Brasil. São noites mal dormidas, finais de semana isolados, sonhos de consumo adiados por conta do desenvolvimento científico. E ainda terão de passar por concursos, pois, é claro, todos sonham trabalhar em uma universidade pública, que “privilegia” não só o ensino, como a pesquisa e a extensão. Infelizmente, continuará sendo utópica a frase do governo federal “todos pela educação” enquanto a maioria não entender e não valorizar os estudiosos de nosso país.

Tatiana Cristina da Silva, professora de língua portuguesa

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