Internacional

Presidentes da América do Sul avaliam plano contra crise na Bolívia

Por Da Redação | Com Folhapress e Reuters
| Tempo de leitura: 3 min

Santiago - Começou às 15h45 (16h45 em Brasília) a cúpula extraordinária de chefes de Estado da União de Nações Sul-americanas (Unasul) convocada pela presidente do Chile, Michelle Bachelet, para debater a crise na Bolívia. Os conflitos entre partidários e opositores ao governo do presidente Evo Morales já deixaram 30 mortos e 45 feridos.

A primeira cúpula do bloco desde sua constituição, há quatro meses, tem como objetivo buscar uma saída à crise política provocada pelo confronto entre o governo de Evo Morales e a oposição, que deixou 30 mortos na Bolívia.

Além de Morales e do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, também participam do encontro a governante argentina, Cristina Kirchner, e os líderes Álvaro Uribe (Colômbia), Rafael Correa (Equador), Fernando Lugo (Paraguai), Tabaré Vázquez (Uruguai) e Chávez (Venezuela).

Os líderes discutirão a portas fechadas um documento preparado pelo Chile que propõe o envio de uma missão à Bolívia para mediar um acordo entre as partes e garantir uma mesa de diálogo que ponha fim ao conflito, que abala o país há semanas.

Assim que tiver sido concluída a reunião - que não tem hora certa para acabar - Bachelet deverá informar publicamente sobre os acordos alcançados.

Plano conjunto

Se o plano chileno for aprovado na Unasul, o bloco somaria seus esforços à missão da OEA (Organização dos Estados Americanos) que irá à Bolívia amanhã , liderada pelo secretário geral do organismo, José Miguel Insulza.

O secretário “pro tempore” da Unasul, o chanceler chileno, Alejandro Foxley, destacou que a Unasul e a OEA trabalham em conjunto para “estabelecer um calendário para colocar fim à violência na Bolívia e fazer com que o diálogo seja um elemento permanente nos próximos períodos do desenvolvimento da democracia no país”.

Detalhes

A proposta, que está sendo analisada pelas delegações, coincide com a postura antecipada pelo secretário-geral da OEA ontem. A declaração estabelece que “é indispensável terminar já com a violência na Bolívia e buscar uma convivência pacífica entre todos os setores”.

“Reconhece a autoridade legítima do governo boliviano, no presidente Evo Morales, e (portanto) que ele é o interlocutor principal no diálogo que deve ser levado à frente no futuro”, afirma o documento.

O texto destaca “o princípio fundamental de legitimidade da democracia na Bolívia, do atual regime do presidente Morales e da integridade territorial desse país, que não devem ser colocados em dúvida em momento algum”.

“Tomara que a declaração seja assumida por consenso de todos os presidentes”, disse o chanceler chileno, que, perguntado sobre as divergências entre os presidentes, respondeu: “Não estamos em confrontos dentro da Unasul nem além da Unasul”.

Morales explicará “golpe”

O presidente boliviano, Evo Morales, agradeceu o encontro de emergência dos líderes sul-americanos para tentar conter a crise na Bolívia, e disse que lhes explicará sobre um “golpe de Estado” dos governadores de oposição ao seu governo. “Venho aqui para explicar aos presidentes da América do Sul sobre um golpe de Estado civil formado nos últimos dias por governos de alguns departamentos”, disse Morales.

Chávez acusa EUA

O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, reafirmou ontem na cúpula extraordinária da Unasul (União de Nações Sul-americanas) no Chile, sua denúncia de que a crise que afeta a Bolívia é fruto de uma conspiração “do governo imperialista” dos Estados Unidos.

“Na Bolívia está em andamento uma conspiração internacional, organizada e dirigida pelo império americano, tal como ocorreu aqui, no Chile”, afirmou Chávez ao chegar à capital chilena.

Confrontos

Sob estado de sítio desde sexta-feira, Cobija está apenas parcialmente controlada pelas Forças Armadas, que de madrugada invadiram ao menos dez casas de opositores em várias partes da capital do departamento de Pando, localizada na fronteira com o Acre. Ao menos seis dirigentes foram presos, segundo o governador Leopoldo Fernández.

Mesmo com a presença militar, várias instituições do Estado estão fechadas pelos opositores.

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