Falta menos de um mês para as eleições municipais. Em Bauru, a perspectiva é que tenhamos segundo turno. Algumas pesquisas já apontam para esse cenário. Do meu ponto de vista, isso é excelente para a Cidade sem Limites. Aliás, temos poucos candidatos com perfil para governar Bauru. O despreparo, a inexperiência administrativa, o passado político e a falta de qualificação são alguns aspectos a se ressaltar. Não obstante, a temida e sombria presença da “Eminência Parda”.
Quanto aos candidatos à vereança a situação é ainda pior. Chega a ser ridículo, patético e trágico o slogan, os jingles e o perfil de vários candidatos. “Marinheiros e astronautas” de primeira viagem em busca do butim.
Além dos “velhos rostos” que se repetem com os mesmos sorrisos há muitos anos. Triste e terrível encruzilhada.
Ao pesquisarmos a origem etimológica da palavra Política, vemos que ela significa pólis, termo grego que significa cidade. Para os gregos da Antiguidade o homem era um ser da Cidade e possuía uma dependência para com ela. Nenhum homem podia romper seu compromisso com a continuidade da Cidade. Nem mesmo o filósofo Sócrates condenado a morte quis romper com essa ligação cívica.
Dessa forma os gregos ofereciam dois testemunhos históricos da dignidade do político. De um lado chamavam idiotés o cidadão solitário que não se envolvia nos negócios públicos e era incapaz de oferecer alguma coisa aos outros. Do outro lado, o homem que participava dos problemas e soluções políticas era enaltecido. Este buscava imortalizar-se ao assumir responsabilidades e transcendia as necessidades naturais.
Notamos em dois bons e recentes filmes essa percepção de imortalidade para os gregos: “300” e “Tróia”. Lutar e morrer pela liberdade e Cidade é um ideal a ser perseguido. A máxima é “fazer o nome ecoar pela eternidade”.
Vale reiterar que hoje, na sociedade democrática, a primeira forma de participação no governo é elegê-lo e, durante a vigência do mandato, a fiscalização é imprescindível. O voto consciente inicia na análise das propostas partidárias, transita na escolha de candidatos com bom histórico pessoal e profissional que demonstrem coerência, comprometimento e iniciativa com projetos de interesse municipal. O acompanhamento e a fiscalização dos agentes públicos em suas funções institucionais permitem avaliar, cobrar e exigir seriedade, transparência e eficácia desses representantes. No caso de desvios de expectativas, cabe ao eleitor demonstrar à sua desaprovação excluindo-o(s) no próximo pleito.
Em verdade, só haverá o aperfeiçoamento das instituições políticas e da democracia brasileira quando houver por parte da sociedade civil maior interesse e participação nas responsabilidades e nas decisões políticas. O entendimento que o ato de votar, em quaisquer tipos de eleições, não encerra a participação daquele que elege, não deve ser relegado. É dever de todos os homens e mulheres a prática da cidadania ativa.
Enquanto a geração de hoje demonstra pessimismo, desprezo e inconformismo com os fatos concernentes à política, na Antiguidade grega, os jovens atenienses ao completarem 16 anos de idade – curiosamente a mesma idade que possibilita ao jovem brasileiro de participar do processo eleitoral - faziam o seguinte juramento: “não causaremos desgraças a nossa Cidade por atos de desonestidade ou covardia. Lutaremos individual e coletivamente pelos ideais de tradições da Cidade. Prestaremos reverência e obediência às leis da Cidade e envidaremos os melhores esforços para que nossos superiores - que podem modificá-las ou anulá-las - as respeitem também. Lutaremos sempre para incentivar o povo a desenvolver a consciência cívica. Através destes procedimentos, legaremos uma Cidade, não apenas igual, mas maior e melhor do que a nos foi legada”. Caro leitor, belo juramento, não? Coloquem em prática.
O autor, José Renato Ferraz da Silveira, é professor do IESB-Preve e Colégio Fênix. Aos alunos de Sociologia do curso de Design