Se você faz parte daquele grupo de pessoas que costumam fazer muitos saques na conta bancária durante o mês, atenção: o prejuízo pode ultrapassar R$ 1.000,00 ao longo de um ano. A avaliação é da coordenadora institucional da Associação Brasileira de Defesa do Consumidor (Pro Teste), Maria Inês Dolci. Segundo ela, o cliente poderia economizar mais de R$ 1.000,00 por ano se escolhesse tarifas bancárias adequadas a seu perfil.
Pouca gente sabe, mas as instituições financeiras cobram pelos serviços oferecidos quando é ultrapassado o limite de “fornecimento gratuito”. Um dos serviços cobrados - e que muitas vezes o cliente nem percebe - é o saque. Com exceção dos terminais de atendimento 24 horas, que emitem um aviso sobre a cobrança e orientam para que o usuário consulte a tabela do banco, a maioria dos correntistas não percebe as taxas cobradas por serviços que excedem o limite incluso em seu pacote.
Em três bancos públicos consultados, Banco Nossa Caixa, Caixa Econômica Federal (CEF) e Banco do Brasil (BB), as tarifas para saque variam de R$ 0,50 a R$ 3,50, dependendo do local onde a operação é feita. Na CEF a variação é maior. A partir do quinto saque no mês já é feita a cobrança, e as tarifas vão de R$ 0,50 - quando o dinheiro é retirado nos terminais de auto-atendimento - a R$ 3,50, quando o cliente saca diretamente com o funcionário do caixa. Nos terminais 24 horas, a taxa é de R$ 2,00.
Já o Banco do Brasil tem uma variação menor entre as tarifas. A cobrança dos saques é feita após a sexta retirada no mês. Cada movimentação custa R$ 1,20 nos terminais de auto-atendimento e R$ 2,00 nos caixas 24 horas. Se o saque for feito diretamente no caixa de uma agência bancária, a cobrança é de R$ 1,60.
Na Nossa Caixa, a cobrança pelo saque também é feita a partir da quinta retirada no mês. As tarifas para o serviço variam de R$ 1,00, quando o saque é efetuado nos terminais de auto-atendimento, a R$ 2,30 para saques no Banco 24 horas. Clientes que forem sacar com o funcionário do caixa pagam R$ 1,20.
Consulta
Maria Inês Dolci orienta o consumidor a acompanhar a evolução das cobranças e negociar com os bancos a redução dos valores ou procurar a instituição que melhor atenda suas necessidades. Esse tipo de comportamento estimularia a concorrência no setor. “A expectativa é que o consumidor possa, a partir de agora, ter mais informações sobre as tarifas pagas e verificar se realmente usa os serviços (incluídos no pacote)”, afirma.
Para que o cliente bancário possa ter ainda mais informações a respeito dos serviços tarifados em cada instituição, basta acessar o site do Banco Central (www.bcb.gov.br), onde é possível obter informações sobre todas as novas regras estabelecidas pelo Conselho Monetário Nacional. Com a lista de tarifas que podem ser cobradas pelos bancos em mãos, fica mais fácil pesquisar e saber quais são os direitos dos clientes bancários. Para saber os valores das tarifas cobradas, os correntistas podem consultar também o site da Federação Brasileira dos Bancos (Febraban) - www.febraban.org.br - ou as próprias instituições bancárias diretamente.
O Banco Central e institutos de defesa do consumidor concordam que a desinformação e a falta de hábito de grande parte dos correntistas em conferir os dados lançados no extrato são os dois principais fatores que impedem o cidadão de pesquisar as instituições bancárias que oferecem as menores tarifas.
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Falta de informação
Para o economista Reinaldo Cafeo, a falta de informação é o principal vilão no caso das tarifas bancárias. De acordo com ele, o primeiro passo é ter consciência do que foi acertado com o banco em termos de serviços.
“Às vezes, no afã de abrir a conta ou nas negociações com o banco, as pessoas não se dão conta de que essas questões são relevantes. Então, o primeiro passo é saber o que foi acordado e nunca deixar de acompanhar”, salienta.
Segundo o economista, o correntista deve proceder com os bancos da mesma forma que procede em restaurantes, por exemplo. “Quando você vai ao restaurante, o garçom traz a conta e você confere tudo. Quando trata-se de tarifa bancária o consumidor não tem essa preocupação acentuada”, frisa.
Cafeo ressalta que os bancos já conseguem ótimos resultados apenas com a cobrança de tarifas bancárias, inclusive os bancos públicos, que em tese deveriam oferecer mais benefícios aos clientes.
“Eles (bancos públicos) estão com um perfil muito comercial. Precisam ser competitivos porque possuem acionistas, têm que cumprir metas, então, acabou um pouco aquela cara de que o banco público tem que favorecer o cliente. Esses bancos deveriam puxar a fila da redução de juros e da diminuição de tarifas, induzindo o mercado a ter um comportamento diferente do que é hoje”, conclui o economista.