Internacional

Bolívia: opositores suspendem diálogo

Por Folhapress | Com Reuters
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La Paz - A prisão do governador de Pando, o opositor Leopoldo Fernández, fez seu colega de Tarija, Mario Cossío, interromper ontem as negociações mantidas com o governo boliviano em busca de um acordo entre as partes.

Mais cedo, o diretório do Comitê Cívico do departamento (Estado) de Santa Cruz exigiu a libertação de Fernández.

O senador de Tarija Roberto Ruiz disse que “a imediata libertação do prefeito (governador) Fernandéz significaria a assinatura imediata do acordo de pacificação nacional”. O governador de Pando foi preso pelo Exército ontem, em Cobija, capital de Pando, no norte do país, acusado de incentivar o episódio mais violento da onda recente de protestos no país.

O senador lamentou a prisão, que qualificou de “ato abusivo e arbitrário” quando estava “praticamente pronto o documento que estabelece as bases para o diálogo entre o governo e o movimento regional”.

Ainda que tenha insistido em classificar de “suspensão” e não de ruptura da negociação, Ruiz acrescentou que “não é concebível” assinar o acordo “no mesmo instante em que se detém o prefeito de Pando”.

O documento discutido entre os representantes da oposição e o vice-presidente pretende criar as bases do diálogo para solucionar o conflito político que afeta o país.

O episódio mais grave dos confrontos entre simpatizantes e oposição ao governo ocorreu na quinta-feira passada em Pando, quando ao menos 15 pessoas morreram e cerca de cem ficaram desaparecidos, de acordo com o governo.

Após o incidente, a Promotoria-Geral abriu um processo judicial por “genocídio” contra o governador Fernández e outros dois políticos do departamento.

Militares assumem Cobija

As Forças Armadas bolivianas consolidaram ontem seu controle sobre a pequena cidade amazônica de Cobija, capital do Departamento de Pando, onde aconteceram os piores incidentes na atual onda de violência política no país.

Soldados fortemente armados ocuparam sem resistência o centro da cidade, depois de terem detido no meio da manhã o governador Leopoldo Fernández, acusado de ordenar um massacre de camponeses e ignorar o estado de sítio em vigor desde sexta-feira.

Unasul apóia Morales

A reunião da Unasul (União das Nações Sul-Americanas) ocorrida no Chile para discutir a crise na Bolívia terminou com o apoio ao governo do presidente Evo Morales e rejeitando qualquer tentativa de golpe civil ou de divisão territorial da Bolívia.

O texto, chamado de Declaração do Palácio de La Moneda, foi aprovado por unanimidade pelos nove presidentes que participaram da reunião. Ele prevê a criação de uma comissão aberta a todos os países da Unasul, coordenada pela atual presidência chilena, para acompanhar o processo de negociação em curso em La Paz.

Nele, os presidentes manifestaram “seu mais pleno e decidido apoio ao governo constitucional do presidente Evo Morales, cujo mandato foi ratificado por ampla maioria’’.

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