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Ladrão acha criança em carro roubado

Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

São Paulo - Ao notar que um menino de 5 anos dormia no banco do carro que acabara de furtar, em Passo Fundo (310 quilômetros de Porto Alegre), um ladrão abandonou o veículo e ligou para a polícia para reclamar do pai da criança. No telefonema ao plantão da Brigada Militar (a PM gaúcha), na madrugada de ontem, o criminoso deixou recado ao dono do carro, um Monza 1983: “Fala pro filha da p*** do pai dele pegar ele (sic) e levar pra casa o piázinho (menino). (...) E diz pro filho da p*** do pai dele que a próxima vez que eu pegar aquele auto (carro) e tiver um piá lá eu vou matar ele”.

O ladrão ainda ouviu um “ok” do soldado de plantão antes de fornecer a localização do carro. O homem não havia sido localizado até o início da noite de ontem. “É por isso que não se pode perder a esperança na humanidade”, disse a delegada Claudia Crusius, que investiga o furto. Ela disse que não vai pedir a prisão do ladrão porque ele agiu com “bom senso”.

Segundo Crusius, a ligação foi feita cerca de 15 minutos após o Monza ser levado de onde estava estacionado, em frente a um bar e restaurante no centro da cidade. A mãe e o padrasto do menino estavam no local e só souberam do caso quando carro e criança já haviam sido encontrados.

O menino ainda dormia no banco traseiro quando os soldados chegaram à rua do bairro Vila Operária em que o carro fora deixado. A mãe tem 22 anos, e o padrasto, 46 anos. A Brigada Militar, a Polícia Civil e o Conselho Tutelar não informaram seus nomes.

O caso também será investigado pela Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente de Passo Fundo. Segundo o delegado Mário Pezzi, a mãe e o padrasto podem ser indiciados por suspeita de abandono de incapaz - quando o responsável abandona pessoas consideradas incapazes de se defender. A pena prevista vai de seis meses a três anos de prisão. O inquérito, disse Pezzi, deve ser concluído em dez dias. “Existem fortes indícios de que houve abandono, mas queremos ouvir as testemunhas.”

Ao Conselho Tutelar a mãe relatou ter ficado pouco tempo no bar e que havia descido do carro só para “entregar uns papéis”. Disse que pararam no local após voltarem de uma festa.

Segundo a conselheira Carla Vargas, a mãe afirmou ainda ter deixado os vidros do carro abertos para que o menino respirasse. Ela foi advertida e terá de freqüentar terapia familiar, enquanto a criança passará por atendimento psicológico.

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