Tribuna do Leitor

Gororoba


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Não será necessário recorrermos ao Aurélio para decifrarmos o significado da palavra “gororoba”, pois todos sabem que se trata de algo difícil de se degustar e, mais difícil ainda, de se engolir. E para os mais velhos que não são tão velhos assim, deve ainda estar atravessado na garganta o congelamento de preços e o maquiavélico empréstimo compulsório do ex-presidente Sarney!

A CPMF do ministro Serra, a qual seria o remédio para saúde e que foi usado para curar outros males tais como: a corrupção, cartões corporativos, propinas, enquanto que a única que gozaria de tais benefícios ficou ainda mais doente. E Bauru, apesar dos quilômetros que nos separa da Capital Federal, não impede nossos governantes, prefeitos, vereadores e secretários a tomarem medidas duvidosas, as quais soam como mais um remédio amargo que teremos que engolir, se não bastasse tudo o que já nos foi servido neste intenso cardápio de coisas ruins.

Tivemos que engolir um assombroso reajuste em nossas contas de água, maquiado de taxa para construção da usina de tratamento de esgoto, a qual foi aprovada com único critério de que vamos cobrar sem se preocupar em ouvir a população se teriam ou não condições diante de tantos assaltos passar por mais este, o qual não é obrigação do cidadão, mas sim da administração saber usar melhor os seus recursos, porque o melhor mestre de cozinha não é o que faz uma deliciosa maionese tendo ao seu alcance todos os ingredientes, mas sim aquele que consegue dar o mesmo sabor ao prato usando apenas ovos e batatas.

E tomando um ônibus, dia 1.º de setembro, justamente no início da Semana da Independência, me veio uma pergunta: “de que somos independentes?” Se tive que pagar dois reais pela passagem, pelo fato de não possuir o cartão eletrônico. Eu sei que isso foi discutido entre eles e mais uma vez sem nos consultarem. A presença de um cobrador dentro do coletivo é uma obrigação da empresa, não só para cobrar a passagem, mas para auxiliar o embarque e desembarque de idosos, deficientes e gestantes. Quando as novas monopolizadas empresas ganharam a licitação do transporte urbano, não sei se colocaram essa pauta no contrato, e se colocaram, mais uma vez não nos avisaram.

A maioria desses cidadãos que hoje estão se oferecendo diariamente quando invadem nossos lares, através dos já surrados programas eleitorais, esses estavam lá na hora da preparação deste cardápio e mesmo assim, hoje insistem em prometer nos servir “picanha”. Mudamos ou aceitamos mais quatro anos engolindo estas e mais algumas “gororobas”, que ainda estão para serem servidas.

Claudinor Pedroso - RG 13.908.437

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