Tribuna do Leitor

Utopia: vou-me embora para Europa


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Nunca foi tão necessária uma colonização fraternal. Uma corrida armamentista desarmada de barreiras, em que os laços afetivos sejam inspiradores para uma batalha contra os espinhos do preconceito. A lei da “antiimigração” contrastra em tons vibrantes com o centenário da imigração japonesa no Brasil. Enquanto duas nações celebram o acontecimento memoriando a miscigenação de povos com incorporação de cultura e religião, um século a partir do fato histórico, a União Européia pinta um quadro para xenofobia com as novas leis impostas.

Com design em 3D, a União Européia vai, aos poucos, mostrando sua diversidade facial. De fácil entendimento, as façanhas européias agridem -com traços marcantes- imigrantes de todo o planeta. A arte surrealista de o fazer, sugere uma desigualdade, além de continental, humanitária. Embora as justificativas estejam voltadas para a segurança nacional, alegando terrorismo e crimes organizados por parte dos imigrantes, não é aceitável uma iniciativa xenófoba alarmante como essa.

Japão e Brasil, dois países distintos em suas crenças ideológicas. Porém, um exemplo de que a necessidade de conviver com diferentes etnias prevalece ligada aos direitos comunitários. O centenário da imigração de um povo que deixou sua terra em busca de melhores condições de vida, acaba por se auto gratificar, sendo uma nação rápida que, com seu orientalismo perfectual, alcançou soberania mundial.

A questão agora é encontrar um ponto médio entre segurança e xenofobismo. Encontrar discernimento entre leis e punições, e nisso, entre autoritarismo e liberdade. Talvez ainda desabroche pétalas de dissemelhanças no mundo. Mas enquanto isso resta-nos a dúvida: quando cidadãos, independentemente de suas nações, poderão fazer da utopia de ir, com Bandeira, à Pasárgada se tornar concreta?

Laura Ceretti Coachman

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