La Paz - O presidente da Bolívia, Evo Morales, e governadores oposicionistas terão hoje no departamento de Cochabamba (centro) o primeiro encontro desde que acordaram uma agenda de negociação anteontem. Embora o grau de tensão seja menor no país, o ambiente político ontem era ainda de troca de farpas entre os dois blocos e de desconfiança e ameaças por parte dos grupos civis aliados.
Contrariando o que defende o documento-base do diálogo negociado entre o vice-presidente, Álvaro García Linera, e o governador de Tarija, Mario Cossío, representante da oposição, os grupos de choque do governo do departamento oposicionista de Santa Cruz não aceitaram deixar todos os prédios públicos federais que ocupam desde a semana passada.
A radical União Juvenil Cruzenha, se opõe, por exemplo, a devolver a sede regional do INRA (Instituto Nacional de Reforma Agrária). O governo cruzenho diz que a liberação será “paulatina”. Tampouco os movimentos camponeses que apóiam o governo desistiram das medidas de protesto contra Santa Cruz.
A anunciada marcha de camponeses - estimados em 20 mil pessoas - à região é objeto de reportagens de TVs opositoras. Ontem mulheres do poderoso Comitê Cívico de Santa Cruz, que reúne a elite política e empresarial, promoveram uma passeata de repúdio à intenção de chegar a cidade.
Morales também não abandonou a retórica inflamada. Pela manhã, participou da assinatura de um acordo com a COB (Central Operária Boliviana), de “apoio crítico”, mas não de alinhamento automático ao governo. A central comprometeu-se a “defender a integridade do país ante a ameaça de golpe” dos governadores rebeldes.
Outro ponto de tensão foi o debate em torno da legalidade da prisão do governador opositor de Pando, Leopoldo Fernández. Ontem, o vice-ministro da Justiça, Ruben Gamarra, disse que ele não estava “detido”, acusado de desacato ao estado de sítio imposto no departamento.
Apoio brasileiro
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse, em entrevista exclusiva à TV Brasil, que apóia a decisão do presidente Evo Morales de expulsar da Bolívia o embaixador dos Estados Unidos Philip Goldberg. “Se for verdade que o embaixador dos EUA fazia reunião com a oposição do Evo Morales, o Evo está correto de mandá-lo embora.”
“Não é de hoje e é famosa a interferência das embaixadas americanas em vários momentos da história do continente americano. Então, eu acho que houve um incidente diplomático, se o embaixador estava tendo ingerência na política lá, o Evo está correto”, completou.
Lula reafirmou que o governo não interferirá nos assuntos internos da Bolívia e nem ajudará no combate a forças insurgentes contra o governo de Evo Morales. Segundo ele, o Brasil pode vender caminhões para a Bolívia e ajudar no controle da fronteira.