No início do mês de outubro do ano de 2003, fizemos uma pescaria que ficou na história. Fomos no rio Miranda, no rancho do Barriga e do Moreira. Fomos em cinco companheiros, eu, Robertinho, Roberto Polido, Pedrinho, Pilastri e o Tete. Depois de dez horas de viagem, chegamos ao rancho. Fomos recebidos pelo Bira, que é caseiro do rancho e piloteiro.
Então perguntamos ao Bira se tinha algum cardume de peixe subindo o rio. O Bira foi falando tem jurupocas e jurupesem, dois peixes de couro, mas teríamos de descer o rio até o primeiro arrombado local, como este era chamado.
Bem descarregamos nossas tralhas de pesca e fomos até a cidade buscar combustível para os motores, já aproveitamos para encomendar os lambaris, isca predileta das jurupocas e jurupesem. Retornamos para o rancho para o tradicional churrasco de chegada.
Enfim, depois da festança, fomos dormir para sairmos cedo para correr atrás do peixe. Saímos por volta das seis horas da manhã. Chegando no local, apoitamos os dois barcos e começou a pescaria. Fisgamos algumas jurupocas e jurupesem, mas não achamos o cardume.
Por volta das onze da manhã, retornamos para o rancho para fazer almoço e no período da tarde subimos o rio até na desembocadura do rio Salobrinha, no Miranda, local chamado de Barra. Pescamos algumas piavas e alguns pacus peva.
Pelas seis horas, retornamos ao rancho, colocamos as conversas em dia e fizemos o planejamento para o dia seguinte. Acordamos por volta das cinco horas, tomamos café e descemos o rio até o segundo arrombado. Lá sim achamos o cardume, era uma jurupoca pra cá, um jurupesem pra lá, fisgamos um total de 104 peixes.
Fizemos a pescaria naquela manhã, mas a maior surpresa estava reservada ao Pedrinho, que fisgou um belo exemplar de palmito, peixe de muita briga, que saltava fora da água, fazendo inveja aos demais barcos ali ancorados.
Foi quando falei ao Roberto Polido: “- Pega o passaguá e deixa no jeito, pois o peixe é grande e pode escapar do anzol”. O Polido, na brincadeira, falou: “- Eu dou chance ao peixe, quanto mais próximo da embarcação mais salto”.
O Pedrinho até suava. Já cansado, entregue e sem força, o peixe encostou do lado do barco. O Roberto Polido, ao invés de passar o passaguá, pegou na linha e tentou embarcar o peixe, a linha roçou no barco e, com o peso do peixe, quebrou-se. O peixe foi embora, o Pedrinho fechou a cara e ficou mudo o resto do dia pela brincadeira do Polido. Seu troféu de pescador foi embora.
Roberto Rossi é pescador e contador de histórias.