Regional

Prefeito de Borebi recebe salário de mais de R$ 10 mil

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 4 min

Borebi - Ser prefeito em Borebi (45 quilômetros de Bauru) é um empregão, diria o caipira do Interior de São Paulo, especialmente porque o cargo não exige curso superior, basta ter a maioria dos votos dos moradores.

Para administrar a cidade, que tem uma única rua principal e 2.300 habitantes, ganha-se R$ 10.220,00 mensais, apenas 10,5% a menos do que o salário do presidente da República, que recebe R$ 11.420,00 e administra 26 Estados com pouco mais de 5.600 municípios mais o Distrito Federal. O prefeito de Borebi ganha o correspondente a 89,4% do salário presidencial.

Porém, não é só o salário do prefeito que é atraente em Borebi. O chefe de gabinete da prefeitura recebe R$ 7.490,46 e o chefe do setor de Educação, Cultura e Esporte, R$ 6.190,46.

Não bastasse isso, os vereadores aprovaram, em sessão extraordinária na noite de anteontem, o reajuste de salário daqueles que irão legislar a partir do próximo ano.

O rendimento mensal de R$ 1.200,00 passou para R$ 1.900,00, aumento de 58,3%. O salário do chefe do Executivo foi mantido, porém, o de vice passou de R$ 1.800,00 para R$ 2.850,00. Já o do presidente da Câmara saltou de R$ 1.800,00 para R$ 2.850,00.

Vale lembrar que o município tem arrecadação de R$ 6 milhões.

Segundo dados extra-oficiais, 80% dos moradores de Bariri trabalham na lavoura. Eles saem da cidade às 5h da manhã e retornam por volta das 17h, com salário médio de R$ 600,00. A maioria não tem curso superior. Alguns nem freqüentaram os bancos da escola do ensino fundamental.

Na cidade de Bauru, com aproximadamente 350 mil habitantes, o chefe do Executivo ganha cerca de R$ 12 mil por mês. Já um secretário, R$ 6 mil. Em Agudos, o salário do prefeito é de cerca de R$ 11 mil.

Borebi não tem hospital e seus doentes, conforme a enfermidade, são encaminhados para Lençóis Paulista, Jaú, Botucatu e Bauru, segundo informou o atual prefeito, Luiz Antonio Finoti (PTB). “Não temos um aparelho de raio X, mas não compensa adquirir porque a demanda é pequena.”

Finoti, que está à frente da prefeitura desde 2004, considera que o salário do prefeito é um pouco elevado.

“Quando eu entrei já era esse salário. Foi votado pela gestão passada do legislativo. Desta vez, não sofrerá reajuste.”

Sessão série ouro

Os nove vereadores de Borebi ganham, atualmente, um salário líquido de R$ 1.157,00 para duas sessões mensais. O valor, dividido pelo número de sessões, chega a R$ 578,50, quantia que saltará para R$ 845,50 na próxima legislatura. “Cada sessão não ultrapassa 15 minutos. A maioria delas não dura nem 10. A Câmara só abre na hora da sessão”, desabafa o vereador Ricardo Vieira de Andrade (PR). Ele foi um dos três parlamentares que votaram contra o aumento.

Outro que votou contra o reajuste por considerá-lo absurdo foi o vereador Anderson Pinheiro de Góes (PMDB). “Eu não me conformo. Borebi não comporta isso. Os moradores precisam de um médico que more na cidade. O posto de saúde precisa de reforma. Os estudantes precisam de bolsa de estudos e nós vamos gastar com salários?”, quetsiona.

O terceiro vereador que não concordou com o reajuste salarial foi Cláudio Roberto Frias (PMDB). O presidente da Câmara não votou e os outros cinco vereadores votaram a favor.

Góes reclama da maneira como foi feita a votação. “Foi uma sessão extraordinária, convocada em regime de urgência, para que os moradores não participassem dela.”

O atual administrador da cidade acha que o reajuste no salário do vereador é justo. “Sou favorável porque a cidade está limpa, bonita e bem arrumada. O município está de vento em popa. Fechamos vários convênios”.

Emenda

Os vereadores da oposição que não concordaram com os aumentos propuseram uma emenda para não “sangrar” tanto o município, mas ela foi rejeitada. Pela proposta, o salário do prefeito seria reduzido para R$ 7.500,00 e o reajuste dos salários dos vereadores passaria de R$ 1.200,00 para R$ 1.300,00.

Na opinião do atual prefeito, que concorda com o aumento, os vereadores que não concordam com o reajuste devem doar a diferença. “Eles podem doar para a Apae, por exemplo.”

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