Uma prospecção arqueológica está recuperando os vestígios de um teatro onde os primeiros trabalhos de William Shakespeare teriam sido encenados pela primeira vez. Pelo menos é o que acreditam os arqueólogos que trabalham em uma área ao leste na capital britânica, nas imediações onde hoje está instalado o Museu de Londres. A referida área está em preparação, visando à construção de um novo teatro, e os vestígios encontrados datam de 1576, segundo os arqueólogos, e pertenceriam a uma das primeiras casas de espetáculos destinada com exclusividade, à encenação de textos teatrais.
De acordo com a história do teatro inglês, por volta de 1599, após divergências com os donos da área, a companhia teatral desmontou o palco e reutilizou suas tábuas para a edificação de um outro teatro, o The Globe, à margem sul do Rio Tâmisa. Tim Morley, porta voz do Museu de Londres, afirma que já há algum tempo era do conhecimento de estudiosos, que na referida área havia existido uma casa de espetáculos ao ar livre, chamada The Theatre, mas cuja localização com exatidão era desconhecida.
Ainda de acordo com as informações prestadas por Tim Morley, era lá que o jovem William Shakespeare subiu ao palco como integrante de uma equipe teatral, intitulada “Os homens de Lord Chamberlain”, tendo ali encenado suas primeiras obras. Ainda segundo pesquisadores, essas obras teriam sido “Ricardo Terceiro”; “Sonho de uma noite de verão” e “O mercador de Veneza”.
A noticia desta descoberta dos arqueólogos, foi recebida com muita alegria pelos componentes da Tower Theatre Company, responsáveis pela construção do novo teatro londrino, na área em questão. Para eles, trata-se de uma nova inspiração a juntar-se à idéia de levantar essa nova casa teatral, exatamente no local onde Shakespeare projetou ao mundo, o inicio de sua grandiosa obra teatral.
É louvável o trabalho desenvolvido pelos profissionais da área de arqueologia, na procura e no desvendar dos aspectos relacionados com o passado de nossa civilização. Em Santos, onde se desenvolvem os trabalhos de ampliação e instalação nos novos trilhos para o bonde turístico, no centro histórico da cidade, farto material tem sido encontrado, e relacionado com o passado da cidade. O mesmo está sendo efetuado na obra de restauração da Casa do Trem, um dos imóveis mais antigos da cidade, onde boa parte da antiga calçada de pedras que cincundava o prédio, está sendo encontrada. Além disso, vestígios de louças da época colonial e outros materiais estão sendo estudados e catalogados.
Em outro artigo anterior, situei o trabalho que duas arqueólogas realizam na antiga fazenda de João Pinheiro Neto, em Paty do Alferes, onde hoje se situa a Aldeia de Arcozelo. Um trabalho silencioso, que desvenda e revira o nosso passado, trazendo à luz vários fatos até então desconhecidos do grande público. A esse profissionais rendo minhas homenagens. Sem eles, grande parte da história da nossa civilização continuaria enterrada para sempre.
O autor, Carlos Pinto, é jornalista