Bairros

Demolição é a sugestão de especialistas

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 2 min

A demolição do viaduto Mauá e a construção de uma obra mais moderna foram sugeridas por dois engenheiros da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Bauru, especialistas em patologia da construção. Um deles, Cláudio Vidrih, a pedido do JC, inspecionou visualmente várias pontes e viadutos da cidade, há pouco mais de três anos. Na época, a matéria levou o Ministério Público a investigar a situação.

Ontem, ele e o colega Ademar da Silva Lobo checaram as estruturas apenas do viaduto interditado, mais uma vez a pedido da reportagem. A obra imediatamente ao lado, o viaduto Nuno de Assis, não foi avaliada.

“Pelo que pode ser observado superficialmente no Mauá, o quadro exige imediata intervenção. A interdição é uma atitude de bom senso. Pela magnitude e profundidade das manifestações patológicas observadas, aliado ao obsoletismo da estrutura analisada, é muito provável que a melhor solução seja a sua substituição. Construir uma mais moderna, adequada às solicitações dos veículos atuais e com nível de segurança adequada ao que a população merece”, comenta o professor.

De acordo com o viaduto, a proximidade do período de chuvas é agravante para a estrutura, assim como a constante vibração dos trilhos de trens, que trafegam sob ele. “Não é mais uma estrutura sadia. Tem acentuadas e graves rachaduras na parede, infiltrações. As barras de aço estão expostas em acelerado processo de corrosão. Há pilares em que a barra de aço foi totalmente corroída”, acrescenta Lobo.

Assim, levando-se em conta o tempo para sua recuperação, os gastos e a vida útil do viaduto, seria mais interessante substituí-lo. O viaduto foi projetado e construído na década de 50. Sua capacidade de carga é bastante inferior à atualmente necessária para suportar o tráfego. Ainda assim, para o titular da Seplan, Leandro Joaquim, a demolição é o último recurso. “Não vamos falar nisso agora. Vamos esperar o laudo. Enxergo que é muito mais para reparar do que para demolir”, conclui.

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Patologias

Equipamentos como viadutos e pontes podem sofrer três tipos de patologia. Congênita, quanto sua concepção já é problemática - quando o projetista comete algum erro, por exemplo. A segunda é a executiva. Neste caso, ao ser materializada, deixa-se de aplicar o que foi definido no projeto inicial.

A terceira é a adquirida, como no caso do viaduto Mauá. “Ao longo da vida, o intemperismo (água, chuva, sol) e a falta de manutenção provocam deterioração”, explica o especialista em patologia da construção Cláudio Vidrih. De acordo com ele, a patologia da construção é uma ciência nova, que incorpora à engenharia termos da medicina. “A gente verifica a parte de sintomas. Ela permite fazer um diagnóstico, que conduz a uma terapia, ou seja, a forma de corrigir essa anomalia”, conclui o professor.

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