Economia & Negócios

Aumenta a procura por seguro-fiança

Gabriel Ottoboni
| Tempo de leitura: 3 min

A opção pelo seguro-fiança como forma de garantia em contratos de locação tem crescido consideravelmente nos últimos meses em Bauru. Segundo imobiliárias consultadas pelo Jornal da Cidade, a principal vantagem apresentada pela modalidade é que descarta a figura do fiador. A demanda aumenta, inclusive, pela quantidade de pessoas que se mudam para a cidade. Pólo estudantil, Bauru recebe centenas de estudantes oriundos de outros municípios e Estados.

Para o proprietário do imóvel, há vantagem de, em caso de inadimplência, receber o valor do aluguel e encargos. Para quem aluga, no entanto, há o inconveniente do pagamento de uma taxa - que na maioria das vezes chega ao valor de dois aluguéis, pagos em até 12 parcelas. O seguro-fiança tem validade de um ano. Para um aluguel de R$ 500,00 por mês, o interessado terá que disponibilizar o dobro do valor para substituir a ausência de fiador.

Segundo o Sindicato da Habitação (Secovi-SP), no entanto, o fiador foi a modalidade mais utilizada nos contratos de locação em agosto, correspondendo a 48,5% do total de imóveis analisados em um levantamento. O depósito adiantado respondeu por cerca de um terço, enquanto o seguro-fiança foi usado em 18% dos contratos locatícios.

Para a Associação das Administradoras de Bens Imóveis e Condomínios (Aabic), o aumento da procura pelo seguro-fiança foi de quase 300% somente neste ano, em comparação com 2007. Se essa modalidade de garantia nos contratos de locação era de aproximadamente 8%, atualmente chega a 30%.

Em alta

A corretora de locação Nádia Fernanda Marino explica que, na imobiliária em que trabalha, cerca de 40% dos contratos fechados são através do seguro-fiança. “Hoje em dia ninguém quer pedir para os outros (fiadores), e o seguro-fiança garante mais do que o fiador, por isso a procura é bem grande”, define. Quando a garantia é feita por fiador tradicional, a cobrança da dívida é realizada depois da ação de despejo do inquilino.

Neste estabelecimento, de cada dez contratos fechados, metade dos clientes opta pelo seguro-fiança. Ela aponta a facilidade na liberação do contrato, que ocorre em 48 horas. “O seguro-fiança inclui pintura interna do imóvel, danos, reparos e manutenção”.

A imobiliária, contudo, não aceita a modalidade de cheque caução. “Quando a pessoa deixa de pagar o aluguel, já deixou também de quitar contas de água e energia. O valor que a pessoa deixou de caução não cobre nem a energia”.

Para pessoas físicas, a contratação do seguro-fiança exige CPF, RG e comprovante de renda. Também é necessário que o cliente não tenha restrição nos órgãos de proteção ao crédito. O valor do aluguel não poderá comprometer mais que 30% da renda do locatário. No caso de pessoa jurídica é necessário, além desses mesmos documentos, o CNPJ e cópia do contrato social da empresa.

Capitalização

Sócio-proprietário de outra imobiliária consultada, Guilherme Cury também aprova os contratos fechados a partir dessa modalidade. No local, a procura pelo seguro-fiança cresceu 300% em comparação ao ano passado, segundo ele. Dos contratos fechados até o momento, 20% foram através do seguro-fiança.

“Está vindo muita gente de fora morar em Bauru que não tem fiador”, observa. Entre as vantagens observadas, ele cita a garantia proporcionada ao dono do imóvel. “Você tem a certeza de que receberá caso ocorra algum atraso (no pagamento do aluguel)”. Cury, no entanto, faz um alerta: o dinheiro não volta para o cliente. “Se a pessoa quiser alguma garantia, fazemos o título de capitalização”.

O cliente que opta pelo título de capitalização tem a certeza de que terá o dinheiro de volta após o término do contrato. Nesta modalidade é necessário depositar, por exemplo, o valor referente a seis aluguéis. “O problema é que a pessoa tem que dispor de certa quantia, e isso rende menos que a poupança”, explica Sérgio Luiz Lopes Calado, proprietário de imobiliária.

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