Cochabamba - O bloco de governadores oposicionistas da Bolívia decidiu ignorar a proposta de mudança na agenda de negociação feita ontem pelo presidente Evo Morales, que insistiu na “viabilização” dos dois referendos que faltam para promulgar o novo texto constitucional, sua principal bandeira política.
Os opositores anunciaram que, por ora, vão se limitar a seguir os pontos do pré-acordo fechado na terça-feira, entre o vice-presidente, Álvaro García Linera, e o governador opositor de Tarija, Mario Cossío, representante também dos departamentos rebeldes de Santa Cruz, Beni, Chuquisaca e Pando - este último em estado de sítio desde o dia 13.
Por esse pré-acordo, a análise, pelo Congresso, dos referendos que abrem caminho para a nova Carta ficariam congelados por pelo menos um mês, prazo que seria prorrogável.
Com a decisão dos governadores - anunciada ainda na madrugada de ontem, ao final de uma primeira e maratônica rodada de negociações -, foram montadas duas mesas temáticas com representantes do governo e dos opositores, ante a presença de observadores nacionais e internacionais, num centro de eventos da cidade de Cochabamba (centro da Bolívia).
A primeira mesa para discutir a distribuição do imposto sobre o gás que foi redirecionado por Morales para pagar um programa a idosos. A segunda tratará de compatibilizar a exigência dos departamentos por autonomia administrativa .
A proposta de Morales de insistir com os referendos desagradou os governadores, que a consideraram um desrespeito ao pré-acordo. Mas, avaliação é que, ainda assim, vale a pena seguir com as mesas de diálogo na presença dos observadores internacionais.
Fronteira com Brasil
Cinco dias depois de a Bolívia decretar estado de sítio no departamento de Pando, o Exército brasileiro ocupou as duas pontes que ligam Brasiléia e Epitaciolândia, onde se refugiaram dezenas de opositores, à vizinha Cobija. Ontem, a Bolívia pediu ao Brasil expulsão de bolivianos envolvidos nos confrontos da semana passada.
Apesar do reforço, os militares não barram a entrada sem documentos, prática comum na região.