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Famílias comemoram descobertas

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 3 min

Para as pessoas que lidam com pacientes que sofrem de Alzheimer, o anúncio de que estão sendo testados, com eficácia, medicamentos capazes de interromper o avanço da doença foi motivo de muita comemoração.

Para Oswaldo Malini, 69 anos, tudo o que a medicina fizer para combater esse mal é válido. Ainda mais se conseguir impedir que a doença deixe o paciente mais debilitado do que está. Oswaldo convive com a doença há 17 anos. A mulher dele, professora aposentada Nancy, 71 anos, tem Alzheimer.

“Para os pacientes que estão no início da doença, essa é uma grande notícia, porque os medicamentos serão capazes de amenizar o sofrimento dos dois lados. Tanto do doente quanto de quem cuida dele”, afirma.

Na opinião dele, esses medicamentos vão evitar que muitos entrem em depressão. Porque conforme a doença avança, mais cuidado o paciente requer da família e, muitas vezes, esses cuidadores deixam de ter vida social para ficar em casa cuidando dos pais, marido, mulher, avós.

Oswaldo é presidente da Associação dos Familiares e Amigos dos Doentes de Alzheimer (Afada) em Bauru. Segundo ele, em dez anos de existência, o órgão já atendeu cerca de 1.800 pessoas que têm alguma relação com a doença.

Entre essas pessoas está uma dona de casa de 47 anos, que pediu para não ter o nome divulgado. A mãe dela, de 77 anos, está no estágio inicial da doença e ela não sabe muito bem como agir diante de certas situações. Por isso, procurou a Afada. “Estou meio perdida. Não sei se trago minha mãe para morar comigo. Não sei se devo fazer tudo o que ela pede. Se eu digo ‘não’, ela fica agressiva. Não sei como agir”, relata.

Ela conta que a mãe toma remédio a cada 12 horas para amenizar os efeitos da doença. Até descobrir que a mãe tinha Alzheimer, demorou. No começo, a mãe passou a repetir a mesma coisa a toda hora e esquecia das coisas. Quando ela passou a se referir aos netos, já adultos, como se eles ainda fossem crianças, a dona de casa percebeu que a situação estava piorando com o tempo.

Para a dona de casa, quanto antes esses medicamentos que interrompem o avanço da doença chegarem às farmácias, melhor. Vai evitar que a mãe chegue ao estágio avançado do Alzheimer, quando normalmente os pacientes ficam o tempo todo na cama, quando os órgãos começam a atrofiar e eles perdem a capacidade de se alimentar sozinhos, necessitando de sonda para isso. O grau de dependência, nesses momentos, aumenta muito e o doente precisa de uma pessoa ao seu lado 24 horas por dia.

Assim está a mãe de Rose (nome fictício a pedido da entrevistada), 50 anos. Em oito anos, a doença progrediu muito rápido e hoje a mãe dela fica o tempo todo na cama. A doença fez com que dona Nair (nome fictício), 87 anos, perdesse a capacidade de engolir alimentos sólidos. Por isso, toda comida precisa ser batida no liqüidificador e engrossada com espessante (substância que aumenta a viscosidade do alimento), inclusive a água e outros líquidos.

Nair tem dificuldade para se expressar e precisa de ajuda de duas pessoas para tomar banho, usa fraldas geriátricas o tempo todo porque não tem mais controle sobre suas necessidades fisiológicas. Segundo Rose, aos poucos a doença foi destruindo a capacidade motora da mãe, tornando-a dependente para tudo. Na opinião dela, o único remédio que funciona nesse momento é o amor.

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