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Mais de 6 mil cães foram sacrificados


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Desde 2004, foram sacrificados cerca de 6.800 cães com leishmaniose em Bauru. Os números da Secretaria Municipal de Saúde incluem apenas o primeiro trimestre deste ano. Ainda assim, um a cada cinco moradores de Bauru tem cachorro, segundo o censo animal de 2006. Para especialistas da área, a proporção de animais por homem é a mesma atualmente.

“A população de cães é reduzida por conta das eutanásias, mas temos uma reposição muito grande porque não existe o costume de castração. Os esforços de controle animal têm sido nesse sentido”, afirma Flávio Tadeu Salvador, diretor de divisão da Vigilância Sanitária, órgão da Secretaria Municipal de Saúde.

Por conta da situação, a faixa etária dos cães na cidade é baixa, não ultrapassa os 4 anos, quando a expectativa de vida é de 12 anos. Quanto mais jovem, mais suscetível a doenças o animal é, uma vez que a resposta imunológica não é tão boa. Muitos dos animais infectados pela leishmaniose são abandonados no Centro de Controle de Zoonoses (CCZ). Por dia, em média, dez pessoas procuram o órgão para entregá-los. Do total, 60% ou 70% com sintomas da doença.

Ela afeta animais de todas as regiões do município. No entanto, Bauru não dispõe mais de kit sorológico para atestar, individualmente, a doença em cães. A coleta de amostra de sangue em animais só é realizada em área de investigação da leishmaniose. Antigamente, frente a qualquer suspeita clínica, o teste podia ser feito. O racionamento foi uma determinação da Superintendência de Controle de Endemias (Sucen), diante da escassa produção de kits por parte do laboratório Bio Manguinhos, o único do Brasil a fabricar esse tipo de produto.

“Se falarem para a gente sai amanhã e me dá em 30 dias seis mil amostras de sangue, a gente tem condição de coletar. Temos equipe, insumos, tudo, mas o diagnóstico é feito pelo Estado”, informa Salvador. Neste ano, apenas 87 animais passaram pelo exame. Em 2006, ano com maior quantidade de testes, foram 1.247.

“A leishmaniose veio para ficar e isso é ponto pacífico. Não tem nenhum município que tenha conseguido erradicar. O que tem que fazer é controlar. Ter uma rede de saúde funcionando para dar o diagnóstico precoce e as pessoas não morrerem”, acrescenta o diretor de divisão. Segundo ele, ainda não foi necessário usar a decisão judicial que dá à administração carta branca para recolher e sacrificar animais com indício de contaminação por leishmaniose, mesmo diante da recusa do proprietário.

“Preferimos que entreguem o cão voluntariamente. Isso acontece rápido. Às vezes tem uma resistência inicial, mas nos ligam no dia seguinte. O convencimento é muito melhor. As pessoas também estão aderindo à coleira e plaqueta com identificação do animal e do proprietário. Já a coleira com inseticida não é distribuída pelo serviço público, mas é uma ótima ferramenta”, conclui Salvador.

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