Só neste ano, sete pessoas já sucumbiram à leishmaniose. A quantidade de óbitos é equivalente ao computado em 2007 inteiro, quando o número de mortes foi o maior em cinco anos. Neste período, 28 pessoas perderam a vida com a doença na cidade. Ainda assim, há quem desqualifique e desconheça o problema, conforme pesquisa realizada pela Unip.
O trabalho mostra que estudantes de escolas públicas e privadas continuam desinformados, desatentos e confusos em relação à leishmaniose, cuja incidência no município é a maior do Estado. Afora o total de óbitos, 39 pessoas contraíram o protozoário.
“Os casos humanos são focados na zona Oeste da cidade. Tem mais incidência nas regiões do Parque Jaraguá, Santa Edwirges, Independência, Ouro Verde, Vila Dutra e adjacências, além da região do Bela Vista. Temos também outros casos humanos espalhados na zona Leste”, diz Flávio Tadeu Salvador, diretor de divisão da Vigilância Sanitária, órgão da Secretaria Municipal de Saúde.
De acordo com ele, o caso humano está atrelado à condição física do paciente. “À imunidade, alimentação, às doenças de base. A pessoa pode ser picada pelo mosquito e não desenvolver a doença nunca. O protozoário vai estar lá, mas sempre combatido pelo organismo”, explica. Porém, quando manifesta a doença, o diagnóstico pode ser confundido com outras moléstias. Entre elas, leucemia e hepatite.
“Isso se a pessoa tiver muita manifestação hepática. Outra coisa que ela é muito confundida, que é relativamente comum, é a anemia”, comenta o infectologista Fernando Monti. Ele admite que os remédios utilizados atualmente para tratar a doença são tóxicos. Por essa razão, exige monitoramento médico e internação na primeira fase do tratamento. Provocam efeitos colaterais semelhantes aos de uma quimioterapia.
Quem os recebe está sujeito, inclusive, à arritmia cardíaca. Atualmente estão disponíveis dois medicamentos (um deles em duas formas distintas), sendo que o tratamento e o acompanhamento podem custar aos cofres públicos cerca de R$ 50 mil, segundo a reportagem apurou. A doença atinge preferencialmente o fígado, o baço, os gânglios e a medula óssea, provocando processo infeccioso e anemia, que pode reduzir as chances de vida do paciente
Existe ainda a leishmaniose tegumentar, que pode se assemelhar a uma espinha, a um tipo especial de micose ou a um câncer de pele. Ela também é conhecida como “úlcera de Bauru” e, assim como a visceral, é transmitida ao homem e aos animais pelo mosquito palha infectado.
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Controle
O controle da leishmaniose tem que contemplar três áreas, informa Flávio Tadeu Salvador, diretor de divisão da Vigilância Sanitária, órgão da Secretaria Municipal de Saúde. A primeira delas é a constante busca ativa de pacientes. A segunda é o diagnóstico precoce da doença. O passo seguinte é a eliminação dos reservatórios, ou seja, dos cães contaminados com o protozoário.
Neste processo, a Secretaria Municipal de Saúde testou no ano passado a aplicação de inseticida no Jardim Vitória. Após a avaliação, concluiu que trata-se do último recurso a ser recorrido. “O veneno é forte e tem efeito residual por 60 dias. Uma criança que passa a mão na parede e coloca a mão no olho, vai queimar. Tem que aplicar por dentro e por fora das casas, de baixo em cima. O custo é mais caro que o benefício”, explica Salvador.
Um outro instrumento utilizado pela Prefeitura Municipal no combate à doença é o Código Sanitário Municipal, que proíbe a criação de animais que possam proporcionar riscos à segurança da comunidade. Entre os bichos, a galinha.
“Tem sido aplicada e temos tido muito sucesso. Tem muita gente sendo flagrada. O mosquito tem preferência por buscar aves. Ele é do mato, não reconhece seres humanos. A picada no ser humano a gente fala que acontece por acidente. Se colocar um cachorro, uma galinha e um ser humano, ele vai picar a galinha. Ela não é reservatório e não vai manifestar a doença, mas prefere o sangue dela, que é mais quente”, esclarece o diretor.
O principal problema da galinha são suas fezes. Sempre úmidas, tornam-se ambiente perfeito para a reprodução do mosquito palha.