Mesmo sem ainda ser uma referência regional ou estadual na produção de frutas, muitos bauruenses estão de olho num mercado que não pára de crescer. A Empresa Brasileira de Pesquisas Agropecuárias (Embrapa), por exemplo, avisa que a produção de frutas no Brasil está em transformação. De acordo com a empresa, nos últimos anos, a exigência em relação à saúde tem aumentado, o que envolve desde a busca por produtos mais nutritivos e “limpos” de agrotóxicos até a preservação do meio ambiente.
Sabendo disso, os produtores de Bauru investem em inovações para atender as exigências do mercado. A formação da Associação dos Fruticultores de Bauru e Região (Bauru Frutas) oferece ao pequeno produtor bauruense a chance de entrar no mercado e fornecer sua produção para um mercado que está cada vez mais exigente.
Renato Theodoro Delgado, presidente da Bauru Frutas, conta que associação tem, em média, 30 pequenos produtores, que juntos colheram na última safra de maracujá (principal produto da associação) 290 toneladas da fruta. “Foi um dos melhores anos da Bauru Frutas. Quase não tivemos perdas e isso incentivou ainda mais os nossos produtores associados”, comemora.
Como agora o maracujá está na sua entressafra, período pós-colheita, a Bauru Frutas está com suas atividades em ritmo lento. “Temos produtores de outras frutas associados, como de mamão e abacaxi, mas como o nosso carro-chefe é ainda o maracujá, não estamos trabalhando com toda a nossa capacidade”, explica.
Delgado conta que, graças à classificação feita das frutas, até o mesmo o que o varejista rejeita é comercializado. As fábricas de polpas, por exemplo, uma vez por mês compram as frutas rejeitadas. Mas, de acordo com o presidente, a intenção da associação é abrir a sua própria fábrica de polpa. “Temos todos os maquinários à disposição, mas falta ainda a matéria-prima em grande quantidade para colocá-los em funcionamento”, justifica.
Outro projeto da Bauru Frutas é oferecer uma variedade maior de frutas. Para isso, os associados estão sendo incentivados a diversificar a produção para fugir da entressafra do maracujá. “Não é preciso deixar de produzir o maracujá, mas investir numa segunda cultura que produzirá enquanto o maracujá estará em formação”, orienta.
Um dos associados da Bauru Frutas é a Fazenda São Luís, de Maria Terezinha Noronha de Carvalho. A família resolveu investir no maracujá no ano passado. De acordo com Luís Machado, administrador da fazenda, são 5 mil metros quadrados de área plantada e 536 pés no total. A variedade de maracujá escolhida pela família é o tipo azedo, ideal para o suco. Este ano foram colhidas cerca de 1.100 caixa da fruta, que foram entregues na Bauru Frutas para comercialização.
A classificação feita pelos produtores segue um controle rígido. O maracujá tipo A1 é o melhor e vai direto para os grandes redes varejistas. Já a fruta A2 é comercializada entre os supermercados de menor porte e, por último, o maracujá A3 é vendido para as empresas que produzem o suco com polpa da fruta.
Além do maracujá, Bauru produz também o abacaxi. Aliás, no passado, um dos maiores produtores da fruta no País possuía uma fazenda no município. Aqui também é possível encontrar propriedade rurais que investem no cultivo da melancia, uva niágara e o avocado, uma variação do abacate que também é cultivada na cidade.
Foi em 1975 que o engenheiro agrônomo Paulo Roberto Leite de Carvalho implantou o avocado em Bauru. De lá para cá, a produção só registra índices de crescimento e, de acordo com o próprio engenheiro, 90% de tudo o que é produzido é exportado para os países da Europa. Pouco conhecido no mercado brasileiro, o avocado é muito utilizado na culinária das cozinhas européias.
Carvalho explica que no Brasil a fruta, que entre outras qualidades é rica em vitaminas, possui baixa caloria, é fonte de energia e combate o colesterol, ainda é pouco conhecida e, conseqüentemente, consumida. “Temos 100 hectares plantados com avocado e uma produção anual que ultrapassa 200 mil caixas do fruto”, completa.
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Qualidade garantida
Enquanto os futuros consumidores ainda dormem, os fornecedores e compradores começam a chegar na Central de Abastecimento de Bauru (Ceasa). A madrugada é agitada no local, pois centenas de caminhões chegam e saem com as frutas, verduras e legumes, além das flores, comercializadas na forma de atacado no local.
De acordo com Augusto Remolí Filho, fiscal responsável por coordenar todo o movimento do Ceasa, só em frutas mais de 2,5 milhões quilos deram entrada no mês passado na central de Bauru. “O movimento é muito grande. Todos os estabelecimentos comerciais das cidades num raio de 100 quilômetros de Bauru, em sua maioria, compram aqui seus produtos”, conta.
Remolí explica que a Ceasa não compra nem vende nada, apenas administra os boxes alugados aos permissionários, que fazem suas vendas no local.
Prestes a completar 30 anos de operação em Bauru, a Ceasa, que iniciou suas atividades na cidade em 1980, desempenha um importante papel não só no município, mas para as dezenas de cidades que têm seus mercados e quitandas abastecidos com frutas legumes e verduras que saem do centro atacadista.
A Ceasa é administrada pela Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo (Ceagesp).