Botucatu - A corrida política pela Prefeitura de Botucatu (100 quilômetros de Bauru) teve um divisor de águas a partir de ontem, quando os quatro candidatos confrontaram suas idéias e propostas no debate pela TV. Promovido pela Rede Record, o encontro teve como pano de fundo o confronto entre PT, representado por Valdemar Pereira de Pinho, e PSDB, com a candidatura de João Cury. De maneira segura, os candidatos Milton Bosco (PV) e Lorival Panhozzi (DEM) se posicionaram como alternativas à polarização Cury-Pinho. Ao criticar a disputa PSDB-PT em Botucatu, Panhozzi cita os imbróglios envolvendo a construção do novo prédio do Fórum e a implantação do Centro de Detenção Provisória (CDP).
“Essa polarização tem atrapalhado muito Botucatu. No caso do Fórum, ficaram PT e PSDB brigando para ver quem é o pai da criança. Todo mundo sabe que cachorro que tem muito dono, morre de fome. Eu entendo que temos que esquecer partido. Porque se partido fosse bom não era partido, era inteiro. O grande problema de Botucatu é que os últimos dois governos buscaram elementos essencialmente de partido para administrar. Eu vou montar uma seleção e pegar gente boa que estiver no PT, no PSDB, no PV, no PTB”, frisa. Bosco teve oportunidade de apresentar suas propostas para o desenvolvimento da cidade, algo limitado no programa de rádio, em que dispõe de apenas de três minutos. “Entendo que Botucatu é carente de projetos em todas as áreas. Como engenheiro, que projeta as grandes obras, me sinto preparado”, salienta o canditato do Partido Verde.
Saúde e transporte foram os temas de maior discordância nos cinco blocos do debate, mediado por Sandro Reis e com entrevistas de bastidor do repórter Alexandre Colim. Nos terceiro e quarto blocos, a temperatura do debate subiu, sempre no nível das idéias, quando os candidatos trocaram perguntas. Ao questionar o candidato do PT, Cury afirmou que em sete anos e meio de governo, Pinho não resolveu os problemas da Saúde, numa referência ao período em que o candidato petista administrou a Secretaria de Saúde.
O JC aproveitou para ampliar a discussão com o candidato do PT sobre um setor que é o calcanhar-de-aquiles da administração do atual prefeito Antonio Mário de Paula Ferreira Ielo (PT), que deixa a prefeitura em 31 de dezembro. “Desde 2003, nós tentamos assumir os atendimentos de média complexidade e o Estado não nos passou e não resolveu os problemas que são de sua responsabilidade. Os adversários fingem ignorar que isso existe e dizem que a prefeitura tinha que ter feito. Onde é do município, as coisas estão bem”, se defende Pinho. Ele afirma que grande parte da demanda será equacionada com novo Pronto-Socorro Municipal e a construção do ambulatório de especialidades. O Pronto-Socorro do Hospital Sorocabano deixará de ser o ponto de discórdia.
Pinho explica que a prefeitura, inicialmente, repassava R$ 20 mil por mês, passou para R$ 58.500,00 mensais e está aumentando para R$ 84 mil. “E o Estado finge que não é com ele. O município assume sua responsabilidade e tem assumido também a do Estado. Então, vamos passar para a gestão do município”, ataca.
Cury colocou mais lenha na fogueira do embate PT-PSDB, que já se configura como uma prévia de confrontos que acontecerão nas eleições de 2010 em todo o Brasil. Ele diz que os tucanos e petistas têm posições divergentes. “A gente percebe que tudo é problema do prefeito. E isso não é aceito pelo Pinho. O que diz respeito à população de Botucatu, seja através da PM, da universidade que é do Estado, é de responsabilidade do prefeito também. É muito fácil dizer que não é problema meu porque é problema do Estado”, avalia o tucano. Ele acrescenta que existe uma partidarização das relações prefeitura-governo estadual. “Temos relações umbilicais profundas, e essa briga entre prefeitura e Estado é ruim para o município.”