A ingestão de ovos crus ou mal cozidos e de alimentos à base de ovos é responsável por 64% dos surtos de diarréia aguda por contaminação com bactérias do grupo salmonella no Estado de São Paulo. É o que aponta levantamento inédito da Secretaria de Estado da Saúde com base na análise de 199 surtos com 6.200 casos de diarréia entre os paulistas ocorridos no período de 1999 a 2007.
Segundo o estudo, 27% dos surtos foram relacionados ao consumo de pratos à base de ovos, como coberturas de bolos, mousses, maioneses caseiras, tortas, salgados e lanches, por exemplo. Outros 37% tiveram como causa a ingestão direta de ovos crus ou mal cozidos.
O levantamento ainda revelou que 34% das contaminações ocorreram após o consumo de alimentos em restaurantes, lanchonetes, padarias ou outros estabelecimentos comerciais que servem comida, e 22% na residência das pessoas. O consumo de alimentos em festas e eventos foram responsáveis por 14% dos surtos.
Os ovos relacionados aos surtos que foram estudados eram provenientes de granjas comerciais legais, e não de estabelecimentos clandestinos ou criações domésticas. Os dados da secretaria foram apresentados à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que irá realizar consulta pública para aprovar nova regulamentação sobre nova rotulagem dos ovos, com avisos ao consumidor sobre formas adequadas de como consumir o produto para evitar a salmonellose. Países da Europa e os Estados Unidos já adotaram medidas semelhantes.
Para a médica epidemiologista Maria Bernadete de Paula Eduardo, coordenadora do estudo e responsável pela Divisão de Doenças Transmitida por Água e Alimentos do Centro de Vigilância Epidemiológica (CVE) da secretaria, o número de casos de salmonellose no Estado relacionado ao consumo de alimentos com ovo mal preparados pode ser ainda maior.
“Somente 40% das pessoas que ficam doentes procuram serviços de saúde, e os médicos normalmente solicitam os exames apenas nos casos considerados mais graves. Além disso nem sempre há sobras dos alimentos suspeitos ingeridos para a realização dos testes laboratoriais necessários”, afirma Bernadete.
Além de diarréia, uma pessoa contaminada com salmonella pode apresentar febre e cólicas de 12 a 72 horas depois de consumir o alimento contaminado. Em alguns casos, quando a diarréia é severa, há necessidade de internação. Crianças, gestantes e idosos podem apresentar formas graves da doença, como infecção que pode passar do intestino para a corrente sangüínea ou para outros órgãos do corpo.
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Medidas de prevenção
• Procure comprar ovos em estabelecimentos que armazenam o produto em prateleiras refrigeradas.
• Mantenha ovos sempre na geladeira.
• Descarte ovos quebrados ou sujos.
• Lave bem as mãos, utensílios e superfícies da pia, com água e sabão, após o contato com ovos crus, para não contaminar outros alimentos com resíduos do produto.
• Coma os ovos bem cozidos.
• Guarde sempre na geladeira as sobras de alimentos feitos com ovos.
• Evite comer pratos à base ovos crus, como determinados sorvetes artesanais ou caseiros, mousses, coberturas de bolo, maionese caseira e molhos.
* Com informações da assessoria de imprensa da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo