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Quem não deve, não teme


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Nas últimas semanas um escândalo de escutas telefônicas envolvendo a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) revirou o Governo Federal. Gilmar Mendes, presidente do Supremo Tribunal Federal, e Gilberto Carvalho, chefe de gabinete do presidente Lula, foram os principais nomes que tiveram ligações grampeadas.

Tudo indica que os espiões aproveitaram uma brecha da operação Satiagraha, que prendeu Daniel Dantas após uma escuta telefônica, para interceptar as ligações do STF e do Planalto. Paulo Lacerda, diretor-geral da Abin, diz “não saber de nada”, mas ele era informado por Protógenes Queiroz, delegado responsável pela operação Satiagraha, de todos os passos da investigação.

Recentemente, após essa revelação, o presidente Lula afastou Lacerda e boa parte da cúpula que dirigia a Abin. De certo modo, a agência estava ilegal, pois não se podem realizar escutas sem autorização judicial. Mas analisando de outro ângulo, os arapongas - que podem ser detetives ou advogados - estavam atentos para descobrir alguma coisa, algo que comprometesse Gilberto Carvalho.

A espionagem tornou-se pública antes de escutarem algo interessante. Agora todos os envolvidos e principalmente os grampeados estão com medo, temendo o que realmente foi ouvido, o que a Abintem em mãos, o que mais pode ser revelado. Afastar fulano, sicrano ou beltrano não resolverá o problema, pelo contrário, colocará mais lenha na fogueira, criará mais inimizades. Já que quem não deve, não teme, então deixe que as interceptações continuem ou que sejam divulgadas. Aliás, não seria uma má idéia se toda ligação originada dos telefones dos altos cargos do governo deveriam ser espionados... Um governo limpo: é algo para se pensar, para se lutar...

O autor, Hans Misfeldt, 20 anos, é estudante de jornalismo. Criador do site www.tutube.com.br e colaborador de Opinião - hans.misfeldt@gmail.com

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