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Das 20 mortes ocorridas no trânsito de Bauru, 15 envolveram motocicletas

Lígia Ligabue
| Tempo de leitura: 5 min

De janeiro até o início deste mês, 20 pessoas morreram no trânsito de Bauru. Dez delas eram condutoras de motocicletas e três eram passageiras. As outras duas vítimas eram pedestres que foram atropelados por motos. Imprudência, desatenção e desrespeito às leis de trânsito são os principais motivos. A frota crescente de motocicletas também potencializa o número de acidentes.

Dados fornecidos pela Polícia Militar mostram que o trânsito de Bauru está mais violento. De janeiro a agosto de 2007, foram registrados 4.425 acidentes nas ruas da cidade. No mesmo período deste ano, foram 4.813. Nos oito primeiros meses do ano passado morreram 16 pessoas em Bauru. Em 2008, foram 19. Até ontem, somando a morte de uma adolescente em setembro, o trânsito fez 20 vítimas fatais na cidade. Durante todo o ano passado, morreram 22 pessoas nas ruas de Bauru. Os atropelamentos e os demais índices também aumentaram.

O mais preocupante é o crescente número de acidentes fatais envolvendo motocicletas. O capitão João da Costa Duarte, comandante da 3ª Companhia da PM, avalia que o número de motocicletas circulando pela cidade potencializa os acidentes. Dados do Departamento Nacional de Trânsito (Denatran) apontam que, em junho de 2007, circulavam por Bauru 32.047 motocicletas. Em junho deste ano, eram 36.796.

Ou seja, atualmente as motocicletas correspondem a 22% da frota de veículos da cidade, mas são responsáveis por 75% das mortes no trânsito de Bauru. No ano passado as motocicletas estavam em 54% dos acidentes com vítimas fatais.

O comandante avalia a exposição do motociclista como o principal fator de risco. “Em um carro, a vítima tem toda uma carroceria para se proteger. Já na motocicleta, não existe quase nenhuma proteção”, pondera. Tanto é que em 2007 nenhum motorista ou passageiro de automóvel morreu em Bauru. Em 2008, somente uma pessoa que estava dentro de um carro morreu - um morador do Ferradura Mirim que estava no banco de trás de um Corsa Sedan e foi arremessado para fora do veículo depois que ele bateu em barras de proteção de uma calçada, no Distrito Industrial 2.

Para o comandante, a melhor forma de diminuir o número de acidentes envolvendo motociclistas é intensificar a atuação. “É investir em educação para o trânsito, além de fiscalização. A conscientização do próprio motociclista também é muito importante”, destaca Costa Duarte.

Perigo

Há mais de 12 anos trabalhando com motocicleta em Bauru, Luiz Vieira de Carvalho, 44 anos, conta que nunca sofreu nenhum acidente. “Não tenho medo. Ando devagar, não corro. O problema são os outros motoristas. Muitos não respeitam”, diz. No entanto, ele conta que muitos companheiros já se machucaram nas ruas da cidade. “São aqueles que correm, que abusam”, diz.

Mas o motociclista, que trabalha como mototaxista, reclama de um item de segurança: o capacete. “Olha, alguém tem que dar um jeito de melhorar o campo de visão disso. Fica muito limitado e não dá para perceber outros motoristas. Além disso, temos que andar com a viseira abaixada e ela vive embaçando”, reclama.

Claudeomir Ferreira conta que desde que tirou sua Carteira Nacional de Habilitação, dirige motos. Aos 48 anos, também nunca sofreu acidente grave. “Uma vez, um homem não percebeu que eu estava perto e abriu a porta do carro. Me acertou em cheio”, conta.

Para ele, falta atenção no trânsito de Bauru. “A maioria das quedas e colisões acontece por imprudência. Tem muito motorista que dirige falando ao celular e não presta atenção nas motos que estão do lado”, aponta. Ferreira também critica a má formação dos condutores. “Mas os motociclistas também têm muita culpa. O trânsito de Bauru é muito complicado e eles saem despreparados e já querem vir com tudo”, avalia.

A auxiliar de escritório Elaine Carolina Pereira, 21 anos, dirige motocicleta apenas há dois anos e já sofreu um acidente leve. “Caí no chão. A rua estava molhada”, conta. Ela garante que toma cuidado, evitando dirigir em alta velocidade e transitar nos corredores formados por carros. “Meu melhor amigo morreu de moto há uns dois anos. Ele fazia uma curva fechada e acabou perdendo a direção, batendo num poste. Ele tinha 19 anos”, lamenta.

Em 19 anos de profissão, o motociclista Ricardo Silva conta que já sofreu quatro acidentes graves. Em um deles, passou por cirurgia. “Tive que colocar um pino na perna. Um motorista se distraiu olhando para uma menina e me fechou. Entrei no vidro traseiro e saí no da frente”, lembra. Para Silva, os condutores de carros precisam ser mais atentos e os de motos, mais cautelosos. “A motocicleta é um instrumento muito perigoso. Tá cheio de motoqueiro abusado por aí”, critica.

Já Davi Fernando Pereira, 26 anos, há cinco trabalhando com motocicletas, assume que gosta de emoção. “Em uma motocicleta você se liberta. A velocidade dá adrenalina. Motocicleta é uma grande paixão”, conta. Mas evita se envolver em problemas. “Procuro não andar muito rápido, sou bem cauteloso. Meu irmão e meu cunhado já sofreram acidentes. Uma vez eu me envolvi num acidente e me machuquei bastante”, diz. “Mas mesmo assim, nunca vou parar de andar de moto”, garante.

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Vítimas fatais de 2008*

Faixa etária

Até 12 anos: 0 De 12 a 17 anos: 1 De 18 a 30 anos: 9 De 31 a 45 anos: 6 De 46 a 60 anos: 2 Mais de 60 anos: 1 Sem informação: 1

Sexo

Mulheres: 5 Homens: 15

Veículos envolvidos

Motocicletas: 15

Ônibus: 6 Carros: 5 Bicicletas: 2 Caminhão ou caminhoneta: 3 Carroça: 1

* Até dia 8 de setembro Fonte: Polícia Militar

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