Acompanhei com indignação a multa aplicada ao candidato Roque Ferreira a pedido do promotor eleitoral. Segundo o promotor, fiscal da lei, ele teria feito propaganda irregular no Calçadão, na esquina da 13 de Maio, por ter apoiado um banner na estrutura da cobertura do Calçadão.
Há quase 20 anos freqüento a rua Batista de Carvalho, e neste cruzamento com a 13 de Maio vejo o Roque constantemente, com abaixo-assinados, manifestações, atos e outros movimentos, inclusive em campanhas eleitorais distribuindo seu material. Quisera a maioria dos candidatos, ou melhor, todos eles pudessem estar em algum ponto do Calçadão de cara limpa, ao vivo e a cores como faz cotidianamente o Roque, para que o cidadão e cidadã que vai votar pudessem conversar diretamente com os mesmos.
A banca e o banner móvel do candidato Roque, em minha opinião, não fere a legislação eleitoral, pois não suja, não polui e não incomoda ninguém, ao contrário destas dezenas de carros de som com decibéis muito acima do permitido e de centenas de placas de propaganda colocadas de forma irregular pela cidade inteira.
A lei também fala em abuso do poder econômico, e vários candidatos estão gastando muito dinheiro e usando patrimônios de alto valor, e isso merece do fiscal da lei acompanhamento rigoroso. Quantidades enormes de placas (elas têm custo), fixadas em terrenos e imóveis valiosos que também deverão ser declarados nas prestações de contas. Incrível que, verificando o site do TRE, estes gastos não estão aparecendo. É de se perguntar ao fiscal da lei se ele também não vê o que todo mundo vê, ou será que para aqueles que são os poderosos e representam os interesses da elite conservadora a lei não existe?
De minha parte, acho que esta lei eleitoral favorece mais os poderosos, o abuso do poder econômico e a corrupção. Sei que a campanha do Roque é franciscana, e se a multa for mantida, desde já me disponho a contribuir para o pagamento da mesma, porque quero ver o Roque eleito e ter o prazer de conversar com ele na esquina da Batista com a 13 de Maio.
João Fabiano Terra de Souza - mestre em ciências políticas