O EC Noroeste sempre foi uma agremiação que esteve em crise de toda espécie, desde a sua fundação. Algumas vezes por falta de entendimento entre seus diretores, jogadores e até mesmo torcedores... Entretanto, a pior dessas crises era a financeira.
Rememorando acontecimentos dos anos 30, a história conta que em 1931 e 1932 o time ferroviário esteve fora das disputas dos certames da cidade, com o Luzitana dominando o cenário esportivo bauruense. Em 1933 a diretoria resolveu participar: um grande fracasso! Com a desistência do EC Val de Palmas (denominação nesse ano do Guarany FC de Val de Palmas), o Noroeste segurou a lanterninha! Em 1934, o Smart FC sagrou-se campeão por desinteligência entre diretores dos “grandes” Luzitana e Noroeste, com o EC Villa Seabra sendo laureado vice-campeão.
Na época existiam os campos da rua 13 de Maio, o mais popular da cidade, situado entre essa rua e a Virgílio Malta, fazendo lateral com a atual travessa Boa Sorte e Manoel Bento Cruz. No ano de 1934 o Luzitana inaugurou sua praça de esportes (atual Supermercado Tauste) e também na Vila Seabra existia o campo do EC Villa Seabra.
Em 1935 o Noroeste inaugurou oficialmente seu estádio “Alfredo de Castilho” ao lado da Santa Casa de Misericórdia, entre as quadras 6 e 7 (não pavimentadas) das ruas Boa Vista (atual Quintino Bocaiúva) e Djalma Dutra (atual Rubens Arruda). Foi no dia 1 de setembro com a vinda do Campinas FC (Campinas) que derrotou o alvirrubro por 1 a 0.
Além dessa inauguração oficial de seu campo (que já funcionava precariamente), o Noroeste foi o campeão amador bauruense do ano de 1935.
Em 15 de novembro, o Batatais FC (Fantasma da Mogiana) foi convidado para preliar com o alvirrubro. Jogo disputadíssimo e equilibrado e no final o resultado favorecia o time da região da Mogiana.
EC Noroeste 0 x Batatais FC 1. Árbitro: Severo Resta - FBF. Artilheiro: Coelho - BFC. Estádio praticamente lotado! Equipes - ECN: Zinho (o mesmo Zinho do Luzitana/BAC), Poncio, Bile (Souza); Acácio, Odilon (Bile), Flores (jogador paraguaio); Baianinho, Herrera (argentino em experiência), Leme (Alceu), Pixe (Barbosa), Albercio (o conhecido Albercio que também jogou no Luzitana). BFC: Yê (depois Ypiranga-Jabaquara), Virgílio (São Paulo), Picareta (São Paulo); Neca, Palmerozzi, Lulu (Jabaquara, Port. Santista, Ypiranga); Juca Pato, José Lopes, Yamond (Rio Claro, Luzitana, Noroeste), Coelho, Barbosa.
O artilheiro dessa partida foi nada mais nada menos que Coelho, como era conhecido Francisco Coelho Filho, pai de Zé Carlos Coelho, o grande artilheiro noroestino (1960-1966). Era um craque na região da Mogiana!
Quem estava no estádio “Ubaldo Medeiros” no dia 4 de dezembro de 1960, deve estar lembrado: na preliminar entre veteranos da partida EC Noroeste 3 x AA Ponte Preta 2 (tentos de Osvaldinho, Capeloza e Toninho), o “seu” Coelho, pai de Zé Carlos, foi acometido de mau súbito, falecendo em seguida no vestiário. Havia participado meio tempo do jogo. Como seu falecimento ocorreu logo após o início da partida principal, Zé Carlos estava jogando quando o técnico Joaquim Loureiro, aos 15 minutos, substituiu-o por Osvaldinho. Sem saber do que se tratava, a torcida vaiou o técnico por “burrice”.
O corpo de Francisco Coelho Filho foi levado para sua cidade, Batatais, em meio a grande tristeza de familiares e torcedores bauruenses.
Uma lembrança alegre de 1935, com “seo” Coelho assinalando o tento da vitória de seu time e outra melancólica, de um dia triste de 1960. Nossa simples homenagem aos dois artilheiros: Francisco Coelho Filho e José Carlos Coelho!
Fausto Gamba Gonçalves - RG 2.339.931-4