Política

Ambiente domina debate na Unesp

Nélson Gonçalves
| Tempo de leitura: 3 min

No único bloco destinado a perguntas entre si, os candidatos à Prefeitura de Bauru preferiram questões ligadas ao meio ambiente ontem, durante encontro organizado pelo grupo Bauru+10, na Universidade Estadual Paulista (Unesp), com apoio do JC e da 96 FM. As indagações relacionadas ao tema dominaram o bloco de questionamentos individuais entre Caio Coube (PSDB), Clodoaldo Gazzetta (PV), Rodrigo Agostinho (PMDB), José Leme (PHS) e Márcia Camargo (PSOL). Rosa Izzo (PDT) não compareceu.

No sorteio, Márcia Camargo (PSOL) abriu o bloco de questões, indagando Clodoaldo Gazzetta (PV) sobre como este implantaria o IPTU progressivo previsto em seu plano de governo. Gazzetta corrigiu, de forma sutil, que sua proposta é para o IPTU ecológico, onde o morador que aderir a políticas públicas, como a coleta seletiva de lixo ou plantar e cuidar de uma árvore, teria compensações junto ao Poder Público local. A candidata defendeu o imposto progressivo como forma de distribuição de renda (quem tem mais paga mais).

Rodrigo Agostinho (PMDB) questionou Márcia Camargo (PSOL) como esta trataria das decisões e discussões apresentadas por conselhos já estabelecidos, como os 37 temáticos existentes, em detrimento à sua proposta de instalar Conselhos Populares Deliberativos nos bairros. Camargo considera que sua idéia é democrática e revoluciona o sistema de decisões no âmbito municipal.

O candidato peemedebista pontuou, entretanto, que cada um dos conselhos vem apresentado diagnósticos e reivindicações para diferentes problemas urbanos e que a etapa é a de implementar as ações já produzidas.

Gazzetta retomou a questão ambiental ao questionar Rodrigo sobre comentário do médico infectologista, Fernando Monti, em matéria do JC, onde este aborda sobre a recomendação de se sacrificar animais contaminados pela leishmaniose. O candidato do PV abordou o ponto mais simpático ao público, rechaçando a retomada das carrocinhas nas ruas.

Entretanto, Rodrigo ponderou que a questão sanitária e de doenças como a leishmaniose é um problema de saúde pública, que exige a limpeza permanente da cidade, de um lado, e também uma abordagem técnica-profissional sobre a extensão dos sacrifícios de animais. Ao contrário de Gazzetta, Agostinho pontuou que o uso de remédios exerce somente controle sobre a doença em animais contaminados, mas não resolve o problema. Em seu comentário final, Gazzetta defendeu a criação de um sítio SOS para cuidar dos animais abandonados.

Caio Coube (PSDB) perguntou a José Leme (PHS) sobre o fato do Executivo ter afirmado que em Brasília não há recursos a fundo perdido em grande volume para tratar o esgoto. Leme preferiu a resposta mais fácil, repetindo críticas ao prefeito Tuga Angerami e colocando em dúvida se este foi à capital federal levantar informações sobre os programas de repasses de verbas.

O tucano aproveitou o tema para defender que o custeio do tratamento de esgoto tem de ser feito, em sua opinião, através do fundo já existente, sem financiamento. Leme alegou que há recursos disponíveis em Brasília, mas que o prefeito não vai a Brasília buscar. No final da fala, o candidato do PHS voltou a questionar privatizações, em referência ao PSDB.

Logo em seguida, foi a vez de Leme indagar se Caio emprestaria R$ 60 milhões da Caixa Econômica Federal (CEF) em razão do endividamento atual. O tucano corrigiu José Leme de que a dívida municipal não é de R$ 460 milhões como ele afirmou, mas de R$ 221 milhões, conforme os dados oficiais da prefeitura. Sobre o empréstimo, Caio afirmou que faria o empréstimo a taxas de juros menores que o mercado, mas desde que para realizar infra-estrutura nos bairros. Leme se posicionou contra. O tucano errou ao mencionar que a classificação de risco para endividamento do município estava no nível H há alguns anos, quando o correto é F. Na semana passada, a CEF anunciou que o nível subiu para o patamar B, o que posiciona a prefeitura em situação de controle de gastos e em condições de contratar financiamento.

Nos demais blocos do encontro, os candidatos responderam a questões diversas formuladas por representantes de entidades e da platéia.

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