Polícia

Grevistas pedem saída de Marzagão

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 3 min

Ao todo, 90 policiais civis de Bauru, em greve há 13 dias, vão hoje a São Paulo para participar de marcha para reivindicar a renúncia do secretário de Segurança Pública, Ronaldo Marzagão. Alvo de críticas variadas, o titular da pasta é acusado de insuflar um racha entre as polícias Civil e Militar no Estado ao determinar que policiais militares, em caso de negativa dos policiais civis de registrar ocorrência, elaborem o documento e comuniquem o Ministério Público (MP).

“Antes havia uma composição hipócrita entre as polícias. Agora não tem mais, nem em Bauru nem em São Paulo. Temos o apoio velado da tropa, mas o comando está indo contra, está cedendo às pressões do governo”, diz Edson Cardia, delegado sindical do Sindicato dos Delegados de Polícia do Estado de São Paulo. Para Cláudio Barbosa, do sindicato dos escrivães, ao insuflar o confronto entre as polícias, Marzagão demonstra ter perdido o comando.

“Ele é a principal pessoa para abrir canal de negociação. A gente não quer ficar em greve, quer voltar a trabalhar com a presteza e dedicação de antes”, comenta. Umas das principais preocupações do movimento é que o efetivo da PM não respeite os limites de suas atribuições constitucionais e legais e incorra em usurpação de função pública. Neste caso, Cardia lembra que os policiais militares ficariam sujeitos a responder por usurpação..

Situações dessa natureza teriam ocorrido em vários municípios, como Botucatu e Piracicaba. Em Bauru, a ocorrência mais grave foi registrada na madrugada da última quinta-feira, quando um grupo de mototaxistas cercou o plantão da Polícia Civil para exigir a prisão em flagrante de um suspeito de ter roubado e esfaqueado um colega deles, detido pela PM.

Cópia do boletim de ocorrência registrado na ocasião seria entregue ao deputado Olímpio Gomes, o Major Olímpio. “Vamos pedir que interceda pelo bom senso. Colegas que sempre trabalharam ombro a ombro estão ficando revoltados com a greve. Estão colocando pai de família contra pai de família”, acrescenta Márcio Cunha, delegado regional do Sindicato dos Investigadores de Polícia do Estado de São Paulo (Sipesp).

De acordo com ele, vários boatos colocam uma instituição contra a outra. Ontem, o comando de greve dos policiais civis de São Paulo aguardava posição da Justiça com relação aos mandados de segurança ajuizados para evitar as retaliações anunciadas pelo governo do Estado em relação aos grevistas.

Também ficou de averiguar a condução que o MP dará à situação. O secretário da Segurança Pública determinou que os policiais militares devem elaborar o boletim de ocorrência militar e encaminhar o caso ao MP se policiais civis se negarem a registrar ocorrências nas delegacias. Até o final da tarde de ontem, em Bauru, o órgão não havia sido acionado.Em seu site, o MP informou dispensar “tratamento adequado, na forma e nos limites das suas atribuições constitucionais e legais, sem invasão das competências de outros órgãos e agentes públicos”.

A reportagem procurou o comando local da PM para que comentasse o racha entre as polícias apontado pelo movimento grevista. Foi informada, no entanto, que apenas o comando da Capital poderia comentar o assunto.

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