Com quatro medalhas olímpicas e vários recordes no currículo, o ex-nadador Gustavo Borges esteve em Bauru, ontem à tarde, onde fez o lançamento oficial de sua metodologia de ensino da natação, que vem sendo estruturada há cerca de um ano na academia Saúde & Cia. Na ocasião, Borges aproveitou para falar sobre o atual quadro da natação brasileira. Recordista brasileiro de medalhas em jogos Pan-Americanos, Gustavo Borges acredita que para se ter equipes de alto rendimento depende-se única e exclusivamente de uma política voltada para o esporte.
“Acho que não é só para a natação, mas para todos os esportes precisa de uma política firme do governo federal, das empresas estatais trabalhando a base e a elite para que a gente possa ter campeões em todos os níveis. A gente vive do talento esporádico. Precisamos ter um trabalho a longo prazo, principalmente visando Olimpíadas”, protesta.
Ele frisa também que o nível e o número de competições no Brasil ainda são baixos. “A natação precisa de competições mais perenes. Você escuta falar em natação a cada quatro anos ou quando alguém bate um recorde. Precisamos de competições de grande repercussão e bom nível”, ressalta o ex-nadador.
Além disso, Borges apóia a decisão do medalha de ouro César Cielo de treinar nos Estado Unidos. “Eu morei dez anos nos Estados Unidos e acho que o grande diferencial é a tranqüilidade que você tem fora do Brasil que faz a diferença. Na minha época, a decisão de ir para fora era ainda mais fácil, porque as condições lá eram muito melhores. Hoje, o Pinheiros tem uma equipe multidisciplinar que dá todas as condições para o atleta, mas nos Estados Unidos, o atleta tem as grandes competições mais próximas dele, o treinador da equipe olímpica mais próximo. Tem uma série de fatores, além do treinamento. O intercâmbio é bom para o atleta. O que precisamos é oferecer estrutura aqui para dificultar a decisão de o atleta sair do Brasil.”
Gustavo Borges destaca que aplica metodologias no treinamento de natação também pode colaborar para aumentar o nível técnico de futuros atletas. “É claro que o objetivo da nossa metodologia não é formar um grande atleta, mas indiretamente você acaba fomentando isso. Trabalhamos com crianças, jovens e técnicos e isso vai fornecer alunos que se tornem atletas em outras situações. E isso pode ser um fruto que iremos colher daqui uns dez, 12 ou 15 anos”, apostou.
O método
Segundo a cartilha da metodologia Gustavo Borges, a técnica parte de um estudo que descreve as melhores práticas para ensinar e treinar a natação. Formatada pelo professor William Urizzi de Lima, ex-técnico da Seleção Brasileira, a metodologia oferece a padronização e sistematização de todos os processos do ensino da natação e pode ser aplicada a academias, clubes e escolas de natação, independente do tamanho da piscina, facilitando a operacionalização das atividades aquáticas.
Com a metodologia, crianças a partir dos seis meses de idade já podem começar o aprendizado da natação. O programa é resultado do conhecimento e experiência acumulados nos mais de 20 anos de carreira de Gustavo Borges e da sua equipe de técnicos e profissionais. O método inclui material pedagógico e serviços associados que permitem um controle de avaliação do ensino.