Os bauruenses se preparam para mais uma nova etapa - se de paciência ou não, é o que veremos - de suas vidas. Uma eleição que decidirá os rumos da cidade para os quatro anos que se seguirão. Quatro longos anos, como nos lembram uma propaganda já veiculada. E para quem possui um olhar estrangeiro sobre Bauru, a idéia de progresso repousa na esperança da “Cidade Sem Limites”. Desde criança ouço meu pai dizer: “Bauru é a cidade do futuro, de entroncamentos rodo-ferroviário, a “cidade sem limites ”. É uma pena que toda essa idéia de progresso em escalas mais avançadas só ficou nos nossos sonhos, de quem viveu em Bauru ora como estudante ora como profissional. Ao ler sobre a necessidade do avanço do conhecimento e do progresso científico, em O Mundo Assombrado pelos Demônios - A Ciência vista como uma vela no escuro - de Carl Sagan, bibliografia indicada por professores do curso de Pós-Graduação da Faculdade de Ciências da Unesp/Bauru, encontro uma citação que me parece coincidir com alguns dos problemas latentes relacionados a essa idéia de progresso. “As culturas que não enfrentam desafios desconhecidos, externos ou internos, nas quais a mudança fundamental não é necessária, as idéias novas não precisam ser estimuladas. Na verdade, as heresias podem ser declaradas perigosas; o pensamento pode se tornar rígido; e podem impor-se sanções contra idéias não permitidas - tudo isso sem causar dano à sociedade. Mas em circunstâncias políticas, biológicas e ambientais variadas e mutáveis, apenas copiar os antigos costumes já não funciona” , p.302 .
Ao que me parece Bauru avançou pouco, cresce devagar, a passos lentos. Pouco foram as conquistas sociais e de infra-estrutura para a cidade. Uma cidade de grandes carências desde a periferia a viadutos interditados, de alagamentos, de tráfico de drogas em proporções indesejáveis, de falta de esclarecimento e diálogo entre o poder público e a sociedade. Bauru carece de idéias novas, de políticas públicas factíveis e de governantes com mais empenho em administrar as incontáveis necessidades advindas de todos os lados, de cima para baixo, atendendo todas as classes sociais e vislumbrando um crescimento compatível com as necessidades locais. Bauru precisa de governantes com compromisso em assumir as demandas pela educação de qualidade, de apoio aos ensinos técnicos e profissionalizantes, às Universidades Públicas; enfim, de novas posturas e idéias que persistirão ao longo do tempo.
Já passou do tempo em que os problemas básicos, como os de saúde, por exemplo, deveriam ter sido definitivamente, resolvidos. Mas não. O que funcionava deixou de funcionar. Resta agora, para a nova administração não só ter que fazer voltar a existir um modelo que já dera certo no passado, como ainda implementar ações que erradiquem o mal-estar da saúde. Temas como lazer, cultura, mais indústrias e conseqüentemente, mais empregos eram correntes nas nossas conversas de estudantes secundaristas, e que ainda continuam em pauta nas agendas dos candidatos. É por questões tão básicas, sistema de transporte público adequado - onde o motorista não tenha que ao mesmo tempo dar o troco e dirigir e o passageiro passar por este constrangimento, de horários alternativos para que pessoas não precisem ir ao trabalho a pé; de pavimentação, e por ai afora, que ainda se espera soluções novas. Mas elas devem ser agora, inovadoras, testadas ou não, mas que de fato levem Bauru, definitivamente, a uma cidade melhor de se viver.
A autora, Adriana Nigro Cardia, é formada em Ciências da Comunicação pela USP, jornalista e professora universitária