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Irmãos dentistas vencem em Barretos

Ieda Rodrigues
| Tempo de leitura: 3 min

Quem encontra os irmãos Eduardo e César Brosco no consultório, vestidos de branco para atender seus pacientes, não tem a menor noção do que a dupla faz nas horas de folga. Bauruenses, ambos são dentistas e administram uma rede de clínicas. Mas nas horas vagas, nos finais de semana, colocam calça jeans, chapéu e toda endumentária de peões para fazer o que adoram deste a infância: dominar bois. E são muito bons no que fazem. Prova disso é que venceram o rodeio de Barretos, em agosto, na modalidade bulldog para duplas.

Nesta prova, o competidor tem de saltar do cavalo em movimento, agarrar o boi pelos chifres e derrubá-lo. Ganha quem dominar o garrote em menos tempo. Competindo individualmente, César, 28 anos, foi o vencedor do campeonato da Associação Nacional de Bulldog (ANB) também disputado durante o rodeio de Barretos deste ano. Já Eduardo, 30 anos, vencedor em 2002 e 2005, ficou na segunda posição. Com os troféus em mãos, eles estão de volta ao consultório, mas nas horas vagas, correm para o haras ou fazenda treinar, conta Eduardo.

O gosto pelo mundo dos rodeios vem desde à infância, relata. “Nossa família sempre teve haras, fazenda”, comenta ele que compete há mais de 10 anos, desde à época que cursava a faculdade, na Universidade do Sagrado Coração (USC). O prêmio em dinheiro, segundo ele, é o que menos importa. “É pela disputa, pelo esporte”, frisa ele que, na categoria duplas, tem como companheiro o irmão mais novo. Neste ano, ganharam cerca de R$ 50 mil.

César decidiu levar a sério o esporte há cerca de cinco anos. Depois de um segundo lugar na disputa individual, anos atrás, desta vez ganhou o campeonato da ANB. “É um hobby com raízes na infância, mas que levamos a sério. Como campeão internacional em Barretos, já recebi convite para participar de disputa em outros países”, conta ele que, por enquanto, não tem planos de competir no Exterior. Mas tem mantido ritmo forte de treinamento no Haras Carolina, em Bauru, e no Haras Rosa dos Ventos, em Avaré.

Tensão

Com a experiência de dois títulos de campeão neste ano, César afirma que o momento de mais tensão na prova é o de pular sobre o boi, que tem de ter entre 250 e 300 quilos. “Tem de saltar no momento certo, quando o boi está na posição certa. É uma conjunção de fatores”, ensina ele, ressaltando que é preciso força para dominar o animal.

Sobre como aliam a vida a de dentista ao de competidores de rodeio, Eduardo afirma que a profissão com diploma universitário até ajuda. “O fato de sermos dentistas ajudou muito na divulgação. As pessoas querem saber como é o dia-a-dia, o que tem a ver uma atividade com a outra, o consultório com o haras”, ressalta Eduardo.

Na vida de competidores de bulldog, César contabiliza um pé quebrado. Já Eduardo se machucou com mais gravidade uma vez, o que o afastou das provas por um bom tempo. Risco de ser atingido pelos chifres ou pés do boi existem, mas Eduardo ressalta que depois de aprender, acidentes ficam mais raros.

“Hoje, o treinamento começa em um boi de ferro”, uma espécie de simulador, frisa. “Tem o cavalo certo e tudo mais”, completa, ressaltando que a prova de bulldog não causa dor ao boi. “Custeamos um estudo que concluiu que o bulldog não causa nenhum problema ao animal”, finaliza.

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