Regional

Eletricista agredido em Pederneiras será submetido a cirurgia no maxilar

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 3 min

Pederneiras - Uma bateria de exames feitos ontem no eletricista André Canato, 23 anos, comprovou a necessidade de uma cirurgia no maxilar. Ele foi agredido na noite da última quinta-feira em Pederneiras (26 quilômetros de Bauru) e alega que a agressão, que ainda custou-lhe três costelas quebradas, foi praticada por policiais militares. O caso está sendo apurado pela Polícia Civil da cidade, que instaurou in-quérito. Ele vai ser internado hoje e a cirurgia deve acontecer na seqüência.

De acordo com matéria pulbicada na edição de ontem, a PM alega que André, ao perceber a presença dos policiais, teria fugido. Depois, na abordagem, teria tentado tirar o bastão de um tenente e teve que ser contido. O comando do 4.º BPM-I informou ainda que aguarda um comunicado da Polícia Civil e, dependendo dos fatos apresentados, vai instaurar investigação criminal para avaliar a conduta dos policiais militares.

A mãe de André, Elza Canato, diz que não se conforma com a agressão. Ela alega que tem convicção de que o filho foi agredido por policiais militares. “Os policiais deveriam andar atrás de bandido. Meu filho trabalha e, praticamente, sustenta a casa. Vai ficar parado e quem vai arcar com isso?”, questiona.

Ela conta que o filho foi obrigado a mentir no atendimento médico da cidade no dia dos fatos. “Eles ameaçaram o menino dentro da viatura. Ele não contou para os médicos que estava sofrendo fortes dores. Só depois, já em casa, é que ele pediu para retornar ao atendimento médico porque não suportava as dores. Foi quando descobriram que ele estava com as costelas quebradas e possivelmente com o maxilar fraturado também”, afirma a mãe.

André confirma a versão apresentada na delegacia, durante o registro da ocorrência na última sexta-feira. “Houve uma discussão com uma mulher e eu não tinha nada com isso. Os policiais chegaram e pediram para colocar a mão para cima. Nós colocamos e mesmo assim eles começaram a bater com o cacetete.”

O eletricista frisa que avisou que era doente. “Eu tenho bactérias e gastrite, o que dificulta a minha alimentação. Além do cacetete, eles me chutaram”, garante André.

Ele garante que não havia facão nenhum conforme diz a polícia. A mãe confirma a versão do filho. “Só quem estavam armados eram os policiais. Não precisava bater no meu filho daquele jeito. Ele nem sabia porque a polícia estava no bairro”, acrescenta.

A mulher espera que o caso seja apurado. “Não é justo que meu filho, um rapaz trabalhador seja tratado dessa maneira pela polícia. Quero Justiça.”

Como foi

Houve um desentendimento entre a moradora da rua Francisco Gimenez Álvarez e um homem posteriormente envolvido na averiguação policial em que estava André. A mulher solicitou a polícia. Na versão da vítima, os policiais começaram a agressão, sem motivo, uma vez que solicitaram que eles colocassem as mãos na cabeça, ordem que teria sido obedecida. Na versão da polícia, o jovem se recusou por várias vezes a colocar as mãos na cabeça para a revista de praxe. Momento em que um outro envolvido teria tentado agarrar o cacetete do policial. Os PMs teriam então imobilizado o rapaz.

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