Polícia

Policiais civis em greve doam sangue

Por Luciana La Fortezza | Aurélio Alonso
| Tempo de leitura: 2 min

Num período em que o Hemonúcleo de Bauru também sofre com baixos estoques de sangue por conta da vacinação contra a rubéola, cerca de 50 policiais civis, em greve há 15 dias na cidade, serão doadores, na manhã de hoje. A expectativa do movimento é reunir aproximadamente 100 pessoas em frente à Delegacia de Investigações Gerais (DIG), às 7h. De lá, seguirão em marcha até o Hospital de Base (HB).

Ontem, representantes dos policiais civis conseguiram audiência com o presidente da Câmara dos Deputados, Arlindo Chinaglia, que esteve na região para apoiar candidatos do PT ou de partidos que compõem a base aliada do governo Lula. A ele os policiais entregaram uma carta relatando a situação da categoria e o impasse com o governo do Estado.

“Ele prometeu que vai interferir. Pediu uma carta complementar, mais detalhada porque está preocupado. Vamos entregá-la amanhã (hoje) em mãos, em Brasília. Também vamos protocolar outra na presidência da Câmara, conforme ele nos orientou”, explica Edson Cardia, delegado sindical do Sindicato dos Delegados de Polícia do Estado de São Paulo.

De acordo com ele, ainda não existe qualquer negociação prevista com o governo do Estado. “Ele partiu para retaliações. Isso só nos fortalece”, comenta. Ainda segundo Cardia, a associação derrubou no Tribunal de Justiça (TJ) a lei que estabelecia isonomia de vencimentos entre as polícias Militar e Civil.

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Major Olímpio

O deputado estadual major Olímpio Gomes (PV) criticou ontem em Bauru a “intransigência” do governador José Serra (PSDB) de não negociar com os policiais civis em greve. “Mais um pouquinho vai ter a adesão dos policiais militares. Não vai ser o Código Penal Militar que vai segurar a tragédia que enfrenta a família militar. É o pior salário do Brasil”, reclamou o parlamentar.

Pela legislação, os policiais militares são proibidos de fazer greve. O regulamenta militar prevê até prisão para a quebra de hierarquia. Segundo ele, os PMs também não são bem remunerados. O salário líquido não atinge R$ 1.400 para quem recebe adicional em cidade acima de 500 mil habitantes e quem está lotado em município de menos de 200 mil habitantes, o salário líquido não ultrapassa os R$ 1.000. “Isso é uma vergonha nacional, o salário dos PMs em São Paulo perde para maior parte dos estados”, disse o deputado.

Olímpio acusa o governador de José Serra de fechar as portas para negociação. Ele disse que pediu a demissão do secretário de Segurança Pública, Ronaldo Marzagão, do cargo por não ter mais “moral para dirigir a polícia paulista”. “Ele se omitiu, se escondeu e não negociou nada com a categoria”, criticou.

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