Política

Rodrigo ataca Tuga, mas se contradiz

Nélson Gonçalves
| Tempo de leitura: 3 min

O candidato Rodrigo Rodrigo (PMDB) atacou ontem à noite, em seu programa eleitoral de TV, o prefeito Tuga Angerami. Disse que este escolheu apoiar o adversário Caio Coube (PSDB) na eleição municipal e ainda rebateu que não é demagogia, como criticou Angerami no JC da semana passada, afirmar sobre a existência de verbas federais a fundo perdido para realizar projetos em Bauru.

No final do programa de TV da aliança Bauru de todos, Rodrigo fala que não é demagogia dizer que existem recursos federais para custear programas a fundo perdido (repasses gratuitos) do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), além de emendas orçamentárias de deputados e das bancadas parlamentares e de ministérios.

Mas há uma contradição na extensão do raciocínio eleitoral colocado pelo peemedebista. Na semana passada, Tuga disparou que é “demagogia, engodo e hipocrisia candidato afirmar que tem verba a fundo perdido para financiar projetos de custo elevado, como o da Estação de Tratamento de Esgoto (ETE), de R$ 90 milhões. Tem verba sem financiamento para projetos menores, não desse porte”.

A questão, então, é que ao rebater a crítica, o próprio Agostinho admite que as verbas sem necessidade de endividamento migram para projetos de menor custo. Ele cita na TV, por exemplo, que mesmo Bauru já recebeu verbas de convênio, como do Fehidro, para instalar a Estação Elevatória de Esgoto (EEE) do Jardim Vitória. Porém, o custo total de uma estação elevatória não é superior a R$ 300 mil, muito distante dos R$ 90 milhões necessários para financiar a ETE do Distrito Industrial sem necessidade de endividamento.

Aos estudantes

Por sinal, Rodrigo Agostinho também comentou ontem à noite, em palestra a estudantes do ensino médio no colégio D‘Incao, sobre as condições para obtenção de verbas federais, inclusive a fundo perdido. E lá ele confirmou que vai atuar para buscar recursos do governo Lula para enfrentar problemas locais, mas também salientou que “não têm grandes somas a fundo perdido, para projetos vultosos”.

Apesar disso, a estratégia do candidato, a partir de ontem, foi tentar vincular o apoio do prefeito Tuga Angerami ao adversário, do PSDB, o que está dentro do que sua aliança previu para esta fase de confronto entre os programas. O programa do peemedebista veiculou trecho de comentário feito por Caio, no debate da Unesp/Bauru +10 desta semana, onde o tucano afirma que contrataria financiamento para realizar obras de infra-estrutura.

Neste campo, Agostinho tenta contrapor que prefere evitar novo endividamento, de um lado. Em outro sentido, o candidato peemedebista quer estabelecer, em sua estratégia, que o prefeito Tuga Angerami deixou a isenção que mantinha na campanha e optou por ficar do lado de Caio.

Não fosse a contradição em relação ao conteúdo da crítica (viabilidade para verbas a fundo perdido para projetos de baixo custo), Agostinho teria lançado mais um episódio de confronto político sem risco de gerar efeito bumerangue – estratégia que adotou há várias semanas na tentativa de distinguir sua candidatura de Caio Coube.

Para cumprir esta tarefa, o peemedebista, por sinal, teve a deixa completa para a crítica que preparou na TV ainda ontem. O presidente da Câmara Federal, deputado Arlindo Chinaglia, veio a Bauru, deu declaração em apoio à candidatura de Rodrigo e, em entrevista à imprensa, reforçou que o governo federal tem recursos disponíveis para resolver problemas urbanos.

Com um detalhe que Rodrigo não aproveitou: Chinaglia exemplificou que em Araraquara, o governo do presidente Lula está destinando cerca de R$ 150 milhões para projeto de remoção de trilhos da área urbana, este sim um projeto vultoso, alimentado por verba federal e do PAC. Mas, no caso de verba a fundo perdido para tratar esgoto em projeto de elevado custo, a fonte de informação ainda é a mesma: escassez.

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