Após ir ao Plantão Policial duas vezes e, por causa da greve dos policiais civis, não conseguir registrar boletim de ocorrência (BO) para relatar que seu carro fora arrombado e dele furtada uma carteira com dinheiro e todos seus documentos, o vendedor Milton de Oliveira, de Bauru, estuda reclamar à Justiça de ineficiência do serviço prestado pelo Estado e pedir ressarcimento por prejuízos. Sem o BO em mãos, ele enfrenta dificuldade em comprovar que os documentos foram furtados e receia que eles possam ser usados para crime.
“Como fui orientado na delegacia na primeira vez, tentei registrar o BO pela Internet. Preenchi todos os campos do site da Secretaria de Segurança Pública, mas três dias depois recebi e-mail informando que o carro precisaria passar por perícia para confirmar o arrombamento. E que, por isso, não seria possível o registro do BO eletrônico. Me orientaram a procurar uma delegacia”, relata o vendedor.
Precisando da segunda via de documentos para voltar a dirigir e trabalhar, Oliveira procurou a Polícia Militar, que registrou o boletim policial militar, que não tem efeito legal para comprovar o furto. “Com os policiais militares, retornei ao plantão policial e, como da primeira vez, não registraram o BO. Foram até grossos comigo diante da insistência”, conta. Desde o início da greve, que em Bauru está no 16.º dia hoje, apenas casos considerados graves, como homicídios e estupros, são registrados pelos policiais civis.
Sem o BO, Oliveira precisou pagar para retirar a segunda via de documentos como RG e CPF no Poupatempo. “Esse serviço é gratuito se ele tivesse com o BO”, afirma o advogado Ronaldo Leitão de Oliveira. “Ele já está recebendo fatura do cartão de crédito, de compras feitas após o furto, e não tem como comprovar que o furto ocorreu. E ele não sabe se seus documentos estão ou não sendo usados por aí”, completa.
Diante da situação, o advogado estuda ingressar na Justiça reclamando que o serviço de polícia judiciária prestada pelo Estado é ineficiente. “Eu sou um cidadão que pago impostos, sou furtado e não tenho como comprovar que fui furtado. E por cima terei que arcar com as conseqüências disso?”, questiona o vendedor. O carro dele foi arrombado quando estava estacionado em frente de sua casa, no Jardim Flórida, no último dia 20.