Como pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS), motoristas também madrugam em filas, em Bauru. No caso dos condutores, no entanto, o objetivo é conseguir senha para submeter o veículo à vistoria, na 5ª Circunscrição Regional de Trânsito (Ciretran), cujos serviços também estão restritos em virtude da greve dos policiais civis. Ontem, o primeiro atendido chegou aos 30 minutos do dia, conta um aposentado que preferiu não identificar-se.
“Eu cheguei às 4h10 e já tinham nove na minha frente”, comenta. No entanto, a distribuição dos números só ocorreu às 11h, quando o único vistoriador da Ciretran chegou. “Como sabíamos que eram 30, ficamos enfileirados. 21 dentro e os outros nove fora”, acrescenta o motorista.
De acordo com ele, o policial civil somente foi trabalhar ontem por acatar pedido da direção da Ciretran e por respeito aos motoristas. Além de estar em greve, como doou sangue, poderia tirar o dia de folga. Com palavras de ordem, cerca de 100 policiais civis em greve estiveram ontem pela manhã no Hemonúcleo de Bauru, onde 50 deles doaram sangue.
Os policiais se reuniram em frente à Delegacia de Investigações Gerais (DIG) e caminharam até o Hemonúcleo. Não faltaram protestos ao governo do Estado, acusado de retaliar os grevistas. Segundo o movimento, em todo o Estado, os diretores de Departamento de Polícia Judiciária do Interior (Deinter) reuniram seus respectivos seccionais para pressioná-los a acabar com a paralisação. Caso contrário, informaram, represálias ocorrerão.
Na oportunidade, os diretores teriam informado que o governo tem uma proposta a fazer, desde que as atividades sejam retomadas. Questionado, o diretor do (Deinter-4), Renato Cruz Swensson, confirmou reunião com os seccionais, mas informou que apenas foram tratados assuntos gerais não referentes à greve.