Esportes

Noroeste: Grupo esquece ‘tapetão’ e foca Copinha

Wagner Teodoro
| Tempo de leitura: 4 min

A denúncia do Mirassol à Federação Paulista de Futebol (FPF) pedindo punição ao Noroeste pela suposta escalação de jogadores sem respeitar o intervalo mínimo entre partidas - o clube alega que Renatinho e Borebi não poderiam defender o Norusca na partida em que o Alvirrubro venceu por 2 a 1, pela Copa Paulista, no último dia 7, porque jogaram contra o Ituano, um dia antes, pela Série C do Campeonato Brasileiro - não tira a concentração do grupo noroestino na seqüência do campeonato.

Tranqüilo e confiante da legalidade das ações do clube bauruense, o grupo segue concentrado para a partida diante do Marília, amanhã, no estádio Bento de Abreu, e deixa a questão para a diretoria resolver. “Para mim (a denúncia) foi uma surpresa. Mas já conversei com o grupo, não temos que pensar em nada disso. Já é um problema burocrático, um problema da diretoria. Não vai ter problema, porque no início da competição, quando ainda disputávamos a Série C e a Copinha, conversei com o (Valdemir) Curti (supervisor do Noroeste), que é o responsável pelo lado burocrático, e ele foi bem claro e passou que não teria problema. Por isso, os jogadores jogaram”, resume o técnico Luiz Carlos Martins.

Quem também se mostra sem receio é o atacante Renatinho, um dos jogadores que têm a escalação contestada pelo Mirassol. Renatinho explicou que a iniciativa de ser relacionado para o jogo foi sua. “No meu caso pedi para jogar porque estava precisando adquirir ritmo. O professor Luiz Carlos Martins conversou com a diretoria e eles (clube) pediram para eu assinar um documento para jogar. Estou tranqüilo, tem os diretores do clube, que estão por dentro de tudo, e acho que não vai ter problema”, comenta.

Assim, Martins mantém o elenco concentrado na seqüência da Copinha e já está colocando em prática o planejamento para o Campeonato Paulista. “Estou tranqüilo, o grupo está tranqüilo. Estou trabalhando o grupo direto, pensando também um pouquinho mais para frente, em todos os sentidos. Temos que pensar na Copa e já planejar o Campeonato Paulista, que é um campeonato duro”, considera. “As contratações não são tão fáceis, porque há muita concorrência. Eu conheço vários jogadores, mas todos empregados em clubes bons, com contrato assinado. Estou até pouquinho preocupado neste aspecto”, admite Martins, que revela que o trabalho de sondagem para a formação do elenco está em pleno ritmo. “Já contatei vários jogadores”, revela.

Até para poder se dedicar de forma adequada ao processo de formação do elenco para o Paulistão, Martins decidiu manter-se treinando a equipe e deixar o comando nos jogos para o técnico Zé Rubens. “Continua da mesma forma. Daqui a pouco, amanhã ou depois, a gente vai viajar, tem que olhar, tem que pesquisar. Se tem uma pessoa que tem uma responsabilidade grande, uma preocupação muito grande, essa pessoa sou eu. Amanhã ou depois, vamos viajar, como fiz no Mirassol. Esperamos que todos nós possamos montar uma equipe competitiva. Talvez jogadores de nome não são tão fáceis de trazer como muitas pessoas imaginam, mas vamos tentar fazer uma equipe bastante competitiva”, aponta.

Martins afirma que o processo de montagem da equipe depende de fatores primordiais para o jogador ter o perfil desejado pelo clube e comissão técnica. “Na realidade, não sou só eu que vou montar a equipe. Estamos tentando, especulando, conversando... Como falei, conheço muitos jogadores, mas para se trazer um jogador tem que se acertar em muitos aspectos. Primeiro lugar, o aspecto financeiro com o clube, em segundo lugar, o atleta entender que aqui é Bauru, é o Noroeste e tem que ter uma responsabilidade muito grande em todos os sentidos”, declara.

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Questão trabalhista

A denúncia que o Mirassol fez à Federação Paulista de Futebol (FPF), alegando escalação irregular de jogadores - o Noroeste não teria respeitado o intervalo mínimo de descanso para os atletas - não acarretará nenhuma punição ao clube bauruense. A única possibilidade, considerada improvável, seria na esfera trabalhista. Esta é a visão do advogado do Noroeste, João Zanforlin.

O Mirassol quer anular, no Tribunal de Justiça Desportiva (TJD), o resultado da partida e solicita a perda de seis pontos para o Noroeste, além de multa, embasado na escalação de Renatinho e Borebi na vitória noroestina no útlimo dia 7, já que os atacantes defenderam o Alvirrubro um dia antes, diante do Ituano, pela Série C do Campeonato Brasileiro.

Zanforlin, que deu respaldo à diretoria noroestina para a escalação dos atacantes, disse que a única conseqüência que poderia ocorrer seria no campo trabalhista. O advogado ressalta que a possibilidade é remota, já que os próprios jogadores pediram para jogar. “Qualquer implicação, se houver, seria na esfera trabalhista”, garantiu.

Zanforlin reiterou que não existe previsão e nem determinação para punição no setor esportivo neste caso. “Não tem problema, porque não tem irregularidade. O jogador concordou em participar do jogo. O intervalo existe para preservar o jogador. Se o clube oferece alojamento, alimentação, não tem problema. Tanto é que existem campeonatos que são jogador de 48 em 48h”, explicou.

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