Bairros

Subprodutos suínos e bovinos têm boa saída

Wagner Carvalho
| Tempo de leitura: 4 min

Tente imaginar sua feijoada sem aquela lingüiça calabresa e sem o paio. Tente, então, retirar a carne seca e também os miúdos de porcos. Depois disso, com certeza só irá restar o bom e velho feijão. Apesar de cortes bovinos e suínos dominarem o mercado, subprodutos como linguiças, hambúrgueres, toucinho e prontsteak têm seu consumo garantido.

Tanto que alguns estabelecimentos comerciais, além de oferecer cortes bovinos e suínos prontos para serem consumidos, também comercializam lingüiça, torresmo e outros subprodutos bovinos e suínos, que antes eram mais comuns apenas na cozinha de cada um.

Em Bauru, bares e lanchonetes descobriram no petisco o chamariz para atrair cada vez mais clientes. Paulo Augusto de Souza, proprietário de um bar localizado na Capitão Gomes Duarte com a Monsenhor Claro, tem seu carro chefe voltado para o corte de carnes, mas descobriu que um dos produtos que a família produzia de maneira artesanal há muito tempo poderia ser um novo atrativo. “A gente criou o festival da lingüiça. Toda quarta-feira, o cliente escolhe três dos seis diferentes tipos oferecidos”, explica.

De acordo com Souza, criar é o segredo. Ele conta que como a produção da lingüiça oferecida é artesanal, a maior parte dos tipos encontrados no festival não é oferecida em lugar nenhum. Lingüiça com provolone, azeitona, de carne seca e apimentada são algumas das variedades oferecidas. Toda semana são produzidos e comercializados, em média, 40 quilos de lingüiça. O proprietário do bar conta que o segredo está no tempero utilizado. Sal, alho e cebola são ingredientes que não podem faltar.

Outro prato bastante aceito e que é oferecido no bar é o torresmo. Toda semana são consumidos aproximadamente 80 quilos do produto. Outro prato bastante saboroso e procurado no local é a panceta: em média são vendidos cerca de 50 quilos.

Mas há quem também não dispense um “churrasquinho”, o cheiro da carne assada chama atenção de quem gosta, mesmo estando a metros de distância. De uns anos para cá, algumas pessoas enxergaram na atração que a carne exerce sobre as pessoas uma forma de ganhar dinheiro.

Em todos os cantos de Bauru é possível encontrar pessoas que vendem espetinhos prontos. Carne, lingüiça e kafta são os preferidos. Comercializados em média a R$ 1,00, esses vendedores ambulantes chegam a ter clientes assíduos.

Jorge Gomes se viu desempregado e com idade avançada e resolveu toda tarde vender espetinhos de carne assada na rua. No ramo há aproximadamente seis meses, ele vende em dois locais diferentes e garante que comercializa cerca de 300 espetos por dia. “Dá para tirar de lucro cerca de R$ 100,00 por dia. No final do mês é uma boa renda”, relata.

Apesar de necessitar de autorização da Vigilância Sanitária do município, muita gente consegue defender o incremento da renda familiar ao comercializar linguiças produzidas de forma artesanal. Sem se identificar, o proprietário de um estabelecimento localizado na Vila Falcão, em Bauru, que além de produzir também compra para revenda lingüiça produzida de modo artesanal, diz que a aceitação é muito maior do que as produzidas de forma industrial.

“A lingüiça produzida de forma artesanal tem muito mais sabor e qualidade, por isso tem mais aceitação”, retrata. Ele conta que chega a vender aproximadamente o dobro de lingüiça caseira em relação ao produto industrial.

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Lingüiça artesanal autorizada

Apenas um açougue em Bauru tem autorização para produzir e comercializar lingüiça em Bauru. Após atender a todas as exigências feitas pelo Serviço de Inspeção Municipal de Bauru (SIMB), ligado à Secretaria Municipal de Agricultura, uma casa de carnes localizada na rua Alto Acre, na Vila Falcão, passou a oferecer o produto feito no local.

No mercado desde 1992, foi em 2007 que o estabelecimento conseguiu a autorização para produzir subprodutos de carne de forma industrial. De acordo com o proprietário, Silvio Calderari, toda semana são produzidos cerca de 900 quilos, entre lingüiça mista (carne bovina e suína) e a pura, feita do pernil suíno.

“O que diferencia a lingüiça produzida aqui das demais industrializadas encontradas no mercado é quantidade de carne utilizada. Nosso produto é 90% carne e o restante são os temperos” ressalta.

Ao todo são produzidos 12 tipos de lingüiça, mista e de pernil com e sem pimenta, lingüiça de avestruz, cuiabana, com ervas, calabresa fresca e de lombo, que são algumas das mais procuradas. De acordo com Calderari, toda experiência e tradição adquiridas ao longo do anos na produção da lingüiça artesanal estão mantidas, o diferencial está na modo de fazer, que atende as exigências do SIMB.

Essa autorização para confecção e venda da lingüiça permite ao proprietário da estabelecimento comercializar o produto apenas dentro do território municipal.

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