O Jornal da Cidade e a Universidade do Sagrado Coração (USC) definiram uma nova forma de colaboração que vai resultar na publicação de matérias especiais, a respeito de fatos e tendências históricas ligados ao bicentenário do surgimento da imprensa no Brasil.
Estudantes de jornalismo da universidade estão produzindo reportagens em três eixos, com textos a serem publicados pelo JC Cultura sempre no último domingo de cada mês, de setembro a novembro. Os primeiros textos, que apontam a influência da imprensa sobre as transformações sociais do século 19, serão veiculados amanhã.
Cinco alunos participaram inicialmente: Danilo Berbel, Pedro Berti e Liana Carvalho assinam as matérias; Carla Izeppe e Mariana Cerigatto auxiliaram na pesquisa de fontes.
A proposta da segunda colaboração é focar o surgimento e a evolução da imprensa local e regional de Bauru. Na terceira, serão examinados fatores da experiência passada que podem contribuir para antecipar as características da imprensa no futuro.
As fontes preferenciais são pesquisadores provenientes do universo acadêmico que já publicaram obras de referência sobre os assuntos enfocados. O ponto de partida foi dado por buscas na base de perfis de cientistas sociais e historiadores organizada pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). São milhares de currículos, selecionados por mecanismos de acesso que permitiram encontrar fontes adequadas.
Para obter informações úteis à composição do roteiro de entrevista, os estudantes leram trabalhos dos pesquisadores escolhidos, publicados em periódicos científicos especializados. As matérias contêm, desta forma, tanto trechos significativos de artigos das fontes quanto depoimentos dados por elas em caráter exclusivo à reportagem.
Danilo Rothberg, docente que coordenou a produção da primeira edição, avalia que as experiências de interação entre universidade e mercado de trabalho no campo da comunicação, como a que ocorre agora entre JC e USC, têm se multiplicado e trazem vantagens para os próprios leitores. “O público vê o compromisso do jornal com a preparação de profissionais e se satisfaz com matérias produzidas em caráter especial para o veículo”, diz.
Os alunos participantes aproveitaram a oportunidade de aprendizado. “A pesquisa histórica aplicada ao jornalismo exige um olhar atento, capaz de selecionar os dados mais relevantes aos leitores, dentro de um grande conjunto de informações”, indica Berbel.
“Nem sempre percebemos os fatos históricos como efeito de mudanças influenciadas pela própria imprensa. A exigência do nosso trabalho foi revelar o papel dos meios de comunicação em grandes acontecimentos”, analisa Berti. “As etapas de produção exigiram muita seriedade, o que permitiu antecipar características do campo profissional”, completa Carvalho.
Na primeira colaboração, Berbel é autor de uma matéria que explora as contradições entre a lei e a realidade que já existiam no Brasil imperial. O texto revela aspectos pouco conhecidos sobre o alinhamento político dos jornais brasileiros no século 19.
Berti foi responsável pela apuração do papel da imprensa sobre as tendências políticas e sociais que desembocaram na abolição da escravatura. O movimento abolicionista deve ser compreendido como uma ação de homens de imprensa, sustenta a reportagem.
Carvalho investigou a função dos jornais como fonte de influência sobre comportamentos e relações sociais. A imagem que a sociedade construía dela própria passou a depender, cada vez mais, da interpretação oferecida pela imprensa, segundo o texto.