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Pacientes vivem momento de paz

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 3 min

Luz no fim do túnel: saída ou porta de entrada para uma outra vida? As visões de quem esteve à beira da morte são impressionantes. O escritor Munir Zalaf e o estudante universitário Bráulio Beccari de Oliveira não esperam que alguém acredite no que eles viram do outro lado. Mas estão convencidos de que voltaram diferentes.

Há um ano e meio, Zalaf, 81 anos, passou por uma cirurgia para a retirada de um pólipo no intestino e veio o inesperado: uma complicação pós-operatória que o levou à Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do hospital. Foram 14 dias em coma. Nesse período, Zalaf partiu para uma viagem surpreendente.

“Eu vi cinco sóis, que eram cinco figuras luminosas em forma humana. E uma delas me disse: ‘Estrada nenhuma termina no vazio’. Pense em quantas respostas essa afirmação pode oferecer”, pondera.

Apesar da sensação de paz que essas visões trouxeram ao escritor, ele também relembra passagens em que encontrou entidades maléficas, que o deixaram atordoado. “Foram momentos difíceis, vi cenas pesadas e agressivas, que prefiro não narrar para não chocar as pessoas. Nesses 14 dias, confundi sonho, pesadelo e realidade.”

Ele também revela que ficou aflito quando passou por uma experiência fora do corpo, ao ver seus filhos e esposa orando por sua recuperação. “Também revi pessoas que eu amo e já não estão mais aqui comigo”, complementa.

O balanço que Zalaf faz é positivo. Para ele, os dias do coma foram os mais felizes e importantes de sua vida. Assim como a maioria dos relatos de quem passa por uma EQM, Zalaf conta que, em determinado momento da viagem, se viu diante de um filme com um roteiro bem familiar: um resumo da própria vida projetado numa tela imaginária. Para ele, o filme trouxe, em si mesmo, uma revelação: ainda não estava pronto. E voltar à vida é a chance de escolher o melhor final para essa história.

“Antes, eu era turrão, achava que meus pontos de vista não deviam ser questionados, mas fui levado a um crescimento espiritual. Aprendi a ser mais tolerante, mais humano, aprendi a chorar e a amar no sentido mais amplo da palavra”, diz, com a voz embargada. A experiência marcou Zalaf de tal maneira que ele escreveu um livro, ainda não publicado, chamado “Cinco Sóis”, uma referência às cinco entidades luminosas com quem se “encontrou” durante os dias em que permaneceu acamado.

Bráulio, 21 anos, também experimentou a linha tênue entre vida e morte. Após um acidente de bicicleta quando tinha 14 anos, ele foi levado em estado grave para o hospital por causa de uma hemorragia interna.

O estudante precisou passar por uma cirurgia de emergência e, enquanto os médicos operavam o baço danificado pela queda, viveu um momento de paz absoluta. “É até estranho dizer, mas a experiência foi muito boa”, afirma.

Por um instante, o estudante chegou a ser dado como morto, mas recobrou os sinais vitais logo em seguida. Embora relate ter visto apenas imagens indefinidas e sem nenhum significado, ele ainda guarda a seqüência de sensações que vivenciou durante a transição. “Primeiro tive dor, mas depois não senti mais nada. Foi um momento muito agradável e diferente de tudo o que eu já havia experimentado até então”, relembra ele.

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