Geral

Apesar de serem bem informados, jovens ainda fazem pouco pelo meio ambiente

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 4 min

Embora a geração atual de jovens tenha acesso a uma quantidade sem precedentes de informações, ela ainda faz pouco em prol do meio ambiente. De forma geral, a preocupação com o planeta existe, mas há uma dificuldade em estabelecer conexões entre os problemas que a afeta.

É a falta de compreensão sistêmica dos jovens sobre o tema que os leva, por exemplo, a entender a poluição e a destinação correta do lixo como problemas das cidades, o desmatamento como um evento que só ocorre na Amazônia e na Mata Atlântica e o aquecimento global como uma questão internacional, que parece ainda não ter chegado ao Brasil.

Com essa incapacidade de compreender os efeitos que cada ação cotidiana pode provocar no todo, o conhecimento teórico raramente é transformado em ação efetiva que resulte em benefício para a preservação do lugar em que vivemos.

Essa é uma das constatações da quarta edição do “Dossiê Universo Jovem MTV”, realizada pelo Instituto Datafolha e divulgada neste mês pela emissora. Ao todo, foram ouvidos 2.579 jovens entre 12 e 30 anos, em nove cidades brasileiras, entre os meses de maio e junho, que responderam a questões específicas sobre o tema sustentabilidade.

No estudo, apenas 17% dos entrevistados manifestaram estar comprometidos com a preservação do planeta. São eles os que mais conhecem e valorizam as causas ambientais e não hesitam em abrir mão de confortos individuais em prol do bem coletivo.

Descaso

Na outra ponta, está o grupo dos refratários, ou aqueles que não se importam com o tema e não pretendem fazer nada a favor do meio ambiente. Eles representam 20% dos jovens brasileiros e é o segmento ao qual pertence uma garota de 19 anos que prestou depoimento à reportagem do JC.

Sem hesitar, ela conta que, caso não encontre uma lixeira ao alcance da mão, acaba por dispensar o lixo na via pública. Também não separa os recicláveis e não se importa com o tempo que permanece debaixo do chuveiro. “Simplesmente porque não é uma coisa que me preocupa. Só procuro economizar energia para não vir conta muito alta”, comenta.

Entre esse extremo e o grupo dos comprometidos, a pesquisa traçou outros três perfis: os que não demonstram nenhum conhecimento sobre ecologia são 16%; os que gostariam de ter mais informação são 21%; e 26% têm conhecimento do tema, mas só realizam ações básicas, como não jogar lixo na rua, por exemplo.

“Nós percebemos que, de forma geral, o jovem tem uma intimidade grande com a questão do meio ambiente, mas ainda não tem clareza sobre quais são as atitudes individuais necessárias para ter um cotidiano sustentável”, avalia Ione Mendes, gerente de pesquisas da MTV Brasil.

Ela acredita que os três grupos intermediários têm potencial para migrar para o segmento dos comprometidos, bastando, para isso, a implementação de políticas públicas, campanhas de conscientização nas escolas e massificação do tema na mídia.

Isso porque o meio mais utilizado para conhecer as questões ambientais (74%) ainda é a TV. O jornal fica com 33% dessa fatia e a Internet, com 29%, concorrendo com colégios e faculdades (28%). Mas a grande queixa de 53% dos entrevistados é de que a mídia poderia informar mais sobre sustentabilidade.

Cuidados básicos

Enquanto a mudança não ocorre, os problemas que afetam os jovens diretamente, como o risco de sofrer um assalto ou o medo de não encontrar emprego, continuam sendo mais importantes do que os problemas ambientais, conforme o levantamento. E, apesar de receberem muitas informações através da escola e da mídia, eles permanecem fazendo apenas o básico para cuidar do planeta.

Prova disso é que a maioria (55%) afirmou não jogar lixo em lugares públicos e 21% disse reciclar o lixo doméstico. Também mencionaram economizar água (23%) e energia (10%), o que deveria ser um hábito mais do que natural.

Já o consumo consciente foi citado por somente 3% dos pesquisados. Isso demonstra que, ao escolher entre o desejo de comprar em excesso e a consciência de que isso implica em prejuízos ambientais, a primeira opção acaba prevalecendo. Além disso, seis em cada dez entrevistados não souberam definir ou desconheciam a existência do conceito de sustentabilidade.

Ainda de acordo com a pesquisa realizada pela MTV, os jovens se definem como uma geração vaidosa, consumista e acomodada. E essa apatia autodetectada parece ser um dos empecilhos para que a postura dos jovens mude em um curto espaço de tempo.

“É preciso lembrar que o jovem de hoje é fruto de um contexto social. Ele tem dificuldade em abrir mão de algumas coisas, mas é um pouco cruel colocar toda a possibilidade de salvar o planeta em cima dessa geração”, relativiza Ione Mendes, gerente de pesquisas da MTV Brasil.

Comentários

Comentários