Átila e Rosi formam uma dupla de ilusionistas das mais famosas do Brasil. São cerca de 28 anos de carreira. No extenso currículo da dupla, estão participações em diversos programas de TV, campanhas publicitárias, shows corporativos e muitas outras atividades.
Desde janeiro do ano passado, no entanto, eles mudaram o rumo de atuação. “Antes transformávamos objetos e, hoje, lutamos para transformar as pessoas”, afirma Rosimeire Marques da Silva Coneglian, 40 anos, a Rosi. Na entrevista concedida ao Jornal da Cidade, eles contam como e porque decidiram mudar.
Atualmente, a mágica vem sendo usada como complemento das palestras que a dupla tem feito por todo o Brasil. Segundo Átila Quaggio Coneglian, 42 anos, ela tem servido como uma ferramenta pedagógica, que ajuda na fixação da mensagem que tentam passar. “Utilizamos também música e efeitos especiais, tudo isso para ter a atenção do ouvinte o tempo todo”, relata.
Na entrevista, eles falam sobre o início da vida como artistas, do início do namoro, casamento, conflitos, do lançamento do livro “Marketing do Camaleão - A trajetória do Sucesso” e de como vivem longe dos olhares curiosos do público.
Jornal da Cidade - Como foi que o Átila conheceu a Rosi?
Átila - Isso foi em 1990, acho. Eu estava retornando de Salvador (BA), onde tinha ido para apresentar números de mágica, e quando entrei na minha caminhonete, ela estava cheia de lantejoula. Quando perguntei o que tinha acontecido, me disseram que haviam contratado uma atriz para participar de um evento e ela entrou na caminhonete com a fantasia e algumas lantejoulas se soltaram e ficaram por ali. Depois disso, eu conheci a Rosi e convidei-a para trabalhar comigo. Na época, eu tinha um escritório de representação que comercializava shows. Passamos a trabalhar juntos, depois de uns seis ou sete meses começamos a namorar e dois anos mais tarde nos casamos.
JC - Qual era a participação dela nos shows?
Átila - Nós a contratamos para fazer a parte artística. Ela participava de eventos como atriz, fazia boneca viva e outros trabalhos que estão aí até hoje. Lembro que. no início. ela participava de um número com uma espada que o David Copperfield tinha lançado e nós importamos dos Estados Unidos. Era um número perigosíssimo. Ela ficava com as costas flutuando sobre a espada e de repente caía e a espada atravessava o corpo dela. Ela fazia de conta que morria. Quando começamos a namorar, ela parou de fazer esse número. Até hoje, é uma mágica muito perigosa.
JC - Vocês se casaram em Bauru?
Átila - Nos casamos em Bauru e nosso casamento foi bem atípico: numa quarta-feira, às 11h, e não fizemos festa. Terminou a cerimônia, fomos viajar em lua-de-mel.
JC - Vocês preferiram algo mais simples?
Átila - Eu acho tudo muito bonito na cerimônia de casamento. Mas a gente se casa todos os dias. Essa é a grande verdade. Nós temos que conquistar o outro todos os dias. O amor tem de nascer todos os dias. Muitos fazem um casamento maravilhoso, com festas maravilhosas, mas depois de dois anos estão separados.
JC - Em que ano vocês se casaram?
Rosi - Em 1992. Em dezembro deste ano, vamos completar 16 anos de casados.
JC - Pensam em ter filhos?
Átila - Sinceramente, não. Nós optamos por não ter. Na verdade, temos muitos filhos. Temos a mania de cuidar dos amigos como se fossem filhos. O fato é que nós temos uma vida muito atribulada. São muitas viagens. Tem horas que estamos tranqüilos e, de repente, muda tudo, temos de sair correndo. Isso sem falar das turnês e das programações que fazemos.
JC - São vocês mesmos que cuidam da agenda?
Átila - Atualmente, nós temos algumas empresas que vendem Átila e Rosi, mas quem cuida da agenda somos nós. Não temos empresário. Já sofremos muito na mão deles. Por isso, achamos melhor administrar nossa própria agenda. Foi a melhor coisa que fizemos. Inclusive eu falo disso nas palestras. Sobre a importância de simplificar as coisas, o contato com os clientes, a maneira como você faz negócio.
JC - E como está a agenda de vocês?
Átila - Está bem legal. Temos atividade o ano todo. Deixamos de fazer shows grandes. Estamos nos dedicando mais às palestras. Todos os meses, agendamos de 15 a 18. Temos palestras marcadas até para janeiro do próximo ano.
JC - Quando vocês decidiram optar pelas palestras?
Átila - Em janeiro do ano passado. Antes disso, nós passamos dois anos só nos preparando, assistindo a todo tipo de palestra e conhecendo o mercado.
JC - E as palestras abordam que tipo de assunto?
Átila - Vários assuntos. Algumas são focadas no empreendedorismo, outras falam de liderança, relacionamento e transformação, partindo de experiências pessoais. Hoje, o mundo está perdendo as referências. Os exemplos não são bons e isso tem ocorrido muito dentro das famílias, onde se constrói o caráter das pessoas. Temos o costume também de colocar a culpa nos outros e não assumir nossas culpas. As desculpas estão virando muletas cada vez mais constantes. Quando erramos, ao invés de reconhecer o erro e procurar corrigir, nós temos o costume de procurar alguém para levar a culpa. Tem palestras que falam também de criatividade, da ciência que está por trás de uma mágica, de vendas. Estamos lançando uma palestra sobre como falar em público e, disso, nós conhecemos muito bem porque faz 30 anos que fazemos isso.
JC - Vocês levaram a mágica para as palestras ou não estão misturando uma coisa com a outra?
Átila - Sim, utilizamos a mágica. Nossas palestras são muito diferentes. A mágica é utilizada como ferramenta pedagógica, de fixação. Utilizamos também música e efeitos especiais, tudo isso para ter a atenção do ouvinte o tempo todo.
JC - E tem funcionado?
Átila - Tem funcionado muito bem. Essa receita tem feito a gente explodir. As pessoas estão adorando. Fica mais descontraído e mais fácil de guardar a mensagem. Nós somos consumidores de imagens. Se elas vierem acompanhadas de som, a receita fica perfeita. Já encontramos pessoas que assistiram a nossas palestras há muito tempo, que falam de conceitos que foram passados que eu nem me lembrava mais. A mágica fez com que elas gravassem a mensagem, porque a mágica produz impacto. Ela encanta e emociona. E nós adequamos as palestras para qualquer lugar, pode ser para mil pessoas ou numa sala com 30 pessoas.
JC - Depois que vocês decidiram investir mais em palestras, vocês pararam com os shows de mágica?
Átila - Eu sempre trabalhei com mágica corporativa. Fazia isso em lançamentos de produtos para grandes empresas. Uníamos a publicidade com números artísticos e de mágica. Ao mesmo tempo, fazíamos shows grandes, com a participação de muitas pessoas, mas com o tempo vimos que não era exatamente aquilo que nós queríamos. Então, decidimos parar com os shows. Ainda fazemos algumas apresentações, mas não aquelas gigantes como antigamente. Foi tudo muito legal, mas não é mais o que nós queremos. Nosso objetivo era entrar na TV. Hoje, nós temos portas abertas em qualquer emissora. Recentemente, o “Fantástico” nos fez um convite e nós negamos porque achamos o número um pouco perigoso. Nós falamos não para o “Fantástico”. Se fosse há oito anos atrás, talvez eu desse a minha vida para estar no “Fantástico”. A TV é o que nós precisamos, mas não podemos nos iludir com ela, senão, ela nos machuca.
JC - Falando em ilusão, quando foi que você decidiu que queria ser mágico?
Átila - Quando eu tinha 8 anos. Havia um terreno na rua Xingu com a avenida Duque de Caxias onde eram montados circos. Um dia, veio o Circo Vostok, que tinha um mágico e eu fiquei alucinado com as coisas que ele fazia. Gostei tanto que eu ia todos os dias ao circo. Eu consegui conversar com ele e, depois disso, passei a fazer mágica para a minha família. Pouco depois, conheci o Jair Cassetari. Ele fazia mágica há muito tempo em Bauru. Bati de casa em casa até achar onde ele morava. Ele me ensinou muita coisa.
JC - Com o tempo, você foi adquirindo experiência e hoje tem até um livro lançado, em parceria com a Rosi (“Marketing do Camaleão - A Trajetória do Sucesso”). Por que decidiu escrevê-lo?
Átila - Eu sempre gostei de escrever e tinha vontade de lançar um livro. Ele nasceu de uma inspiração. Eu o escrevi em 12 horas. Foi uma coisa maluca. Ele conta um pouco da nossa trajetória, de um momento da nossa vida em que nós fazíamos tudo e não fazíamos nada. Nós tínhamos de tudo: produtora de TV, publicidade e propaganda, shows. Eram muitas empresas. Entrava muito dinheiro, mas também saía muito dinheiro. Não tínhamos controle. Era muita coisa, mas não estávamos felizes. Isso tudo estava atrapalhando nosso relacionamento. Foi quando resolvemos parar com tudo e escolhemos fazer aquilo que mais gostávamos. Encerramos muitas empresas, paramos com todos os projetos e começamos a refazer nossa vida. Então, o livro é uma história real que ensina as pessoas e empresas a sonhar, antecipar tendências, solucionar problemas e ser vencedoras.
JC - Vocês consideram que essa é a missão de vocês? Ensinar as pessoas a encontrar o caminho certo?
Rosi - Acredito que a nossa missão está ligada a tudo isso que estamos falando até agora. Estamos utilizando a arte mágica, juntamente com a arte teatral e todos os artifícios que temos, para transmitir as mensagens. E através dessas mensagens, colaborar para a transformação das pessoas. Todos nós estamos em constante transformação. A experiência de vida pode fazer com que daqui há dez anos nossos pensamentos e conceitos mudem. Devemos estar sempre abertos às mudanças. Nós trabalhamos muito isso nas palestras. Por isso que nós dizemos que antes transformávamos objetos e hoje lutamos para transformar pessoas.
JC - Para encerrarmos, gostaria de saber como é o Átila dentro de casa?
Átila - (Risos) Bastante desorganizado. A Rosi é virginiana. Portanto, extremamente organizada. Eu bagunço e ela vem arrumando atrás. Como dizem, eu tenho uma bagunça organizada, eu me localizo dentro dela. Dizem que quem é muito organizado nunca teve o prazer de achar alguma coisa que tinha desaparecido há muito tempo (risos). Eu sou uma pessoa simples que gosta de cozinhar, de fazer pratos exóticos e de mexer na marcenaria que tenho em casa.
JC - E como é a Rosi dentro de casa?
Rosi - Além de organizar a bagunça dele (risos), eu procuro descansar. Gosto muito de estar com a minha família. Como eu viajo muito, sinto saudades. Por isso, gosto de aproveitar meu tempo livre para ficar com a família.
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Perfis
• Nome: Átila Quaggio Coneglian
• Idade: 42 anos
• Local de nascimento: Bauru
• Mulher: Rosimeire Marques da Silva Coneglian
• Hobby: Marcenaria
• Livro de cabeceira: “O Monge e o Executivo”
• Filme preferido: “Rocky Balboa” (2006) pelo diálogo entre Rocky e o filho
• Estilo musical predileto: Todos os estilos
• Para quem dá nota 10: “Para Ghandi, que conseguiu a independência da Índia sem derramar sangue”
• Para quem dá nota 0: “Para ninguém, porque não podemos julgar as pessoas”
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• Nome: Rosimeire Marques da Silva Coneglian
• Idade: 40 anos
• Local de nascimento: Birigüi
• Marido: Átila Quaggio Coneglian
• Hobby: Ficar com a família
• Livro de cabeceira: “O Faxineiro e o Executivo”
• Filme preferido: “Conversando com Deus” (2006)
• Estilo musical predileto: Música clássica
• Para quem dá nota 10: “Para meus pais”
• Para quem dá nota 0: Para ninguém