Tribuna do Leitor

“Só falta o dinheiro”


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Os candidatos à Prefeitura de Bauru (homens e mulheres) não merecem críticas. Merecem aplausos! Perguntar-me-ão:

- Por quê?!

Porque são corajosos! Confesso: não teria coragem de assumir os destinos desta bela e hospitaleira cidade. Há tudo a fazer ou ser refeito. Haja vista o que dizem dos viadutos. Um deles (por enquanto) já está interditado.

Entre Rubinéia (SP) e Aparecida do Taboado (MS) construíram uma ponte. Mais de quatro mil metros, e sobre o rio Paraná... Mais abaixo, entre Castilho (SP) e Três Lagoas (MS), uma ponte férrea com mais de cem anos, construída sobre as redemoinhadas águas de Jupiá. E lá está, soberana sobre o tempo que passa. Afinal, os viadutos serão refeitos ou apenas fortificados? Resta a pergunta: há disponibilidade para efetuar a obra?

Há uma grita geral sobre o atendimento médico-hospitalar. E falam equivocadamente a “saúde de Bauru”. Não, não é somente de Bauru. Nas ruas que circundam o Hospital de Base, ônibus de dezenas de cidades: Lins, Getulina, Promissão, Cafelândia, sem mencionar as cidades mais próximas. O mesmo acontece com o imenso estacionamento do Hospital Estadual. Carros há que ficam estacionados na parte externa do Hospital. Hoje está assim. Amanhã haverá mais gente, porque a população não pára de crescer. Isso fala bem alto da excelência de nossos profissionais que, infelizmente, serão incapazes de atender a tanta gente. Fazem apenas o impossível.

Outro problema: o asfalto. Asfalto não é tão somente terraplanagem e aspersão da massa asfáltica. Há o problema da infra-estrutura. Ligação de água, rede de esgoto, guias e sarjetas. Tubulações, conexões, areia, pedra, cimento, combustível, manutenção da maquinaria. E a prefeitura dispõe apenas da mão-de-obra... Como falar em gratuidade tratando-se de materiais tão onerosos?! Alguém pagará por isso. Quem?!

Vejo sempre através da televisão a colheita do café, da cana, do algodão. Vejo, admirado, uma máquina fazendo o trabalho de duzentos operários... E aonde irão esses trabalhadores? Buscarão, por certo, as cidades. Detentores de poucas letras ou simplesmente analfabetos, o que farão nas cidades? Engrossarão a mole de desempregados. Infelizmente! Pouco ouvi falar do processo educacional. Mesmo porque ainda não entendi o porquê de não haver nos currículos escolares o ensino do xadrez. Sem a pretensão de formar campeões, mas com a intenção de ensinar o educando a “pensar”, a aceitar com humildade a vitória do adversário, a não humilhar o vencido; privilegiando a formação antes da informação, numa busca incessante de forjar cidadãs e cidadãos já que a escola assumiu as três fases de formação: a anomia, a heteronomia e a autonomia. O professor é (e sempre foi) a presença envolta em todas as ausências da sociedade. Teriam pensado nisso os candidatos? Creio que sim. Mas não consigo dissociar os problemas dos sonhos de uma personagem da “Escolinha do Professor Raimundo”... “Só falta o dinheiro!”...

Álvaro Baptista Pontes – Associação Paulista de Imprensa

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