Jaú – O crescimento da mecanização da lavoura nas plantações de cana-de-açúcar está levando a uma modificação da atuação dos cortadores de cana que passam a ocupar novas funções dentro, ou fora do setor.
Segundo a Associação dos Plantadores de Cana da Região de Jaú (Associcana), na microregião do município, cerca de 40% das lavouras já estão mecanizadas. O presidente do órgão, Antônio Augusto Beluca, acredita que os trabalhadores substituídos pela máquinas colheitadeiras continuarão a ocupar novas funções na lavoura.
Segundo ele, parte dos cortadores devem ser utilizados no combate das pragas das lavouras. “A princípio pode continuar no serviço normal deles, ou seja, matando formiga, arrancando pragas do canavial, peneirando palha. Então não dá para dizer que a máquina vai eliminar todo trabalhador do setor”, comenta.
Apesar disso, Beluca reconhece que em muitos casos é difícil qualificar o cortador para outras funções. “No caso dos cortadores, o problema torna-se um pouco mais difícil porque se pegar um trabalhador que não sabe ler, onde que nós vamos enviar ele para qualificar?”, questiona. “Não adianta colocar ele em um curso de computação, se ele não sabe nem ler”, completa.
O presidente da Associcana ressalta ainda que as lavouras continuarão a precisar dos cortadores nas áreas onde as colheitadeiras não chegam. “Tem áreas de cana com declividade superior a 12% cuja colheitadeira não entra. Vão ficar muitas vagas ainda.”, revela. “Nestas áreas, ou se corta a cana crua manualmente ou se coloca outro tipo de cultura”, completa.
No caso dos motoristas de tratores, Beluca lembra que eles certamente serão aproveitados como operador de máquinas. ““O primeiro passo é reciclar o trabalhador como sendo o próprio operador de máquina. Desde que ele trabalhe com um máquina carregadeira de cana, que não vai utilizar mais, ele passaria já para a máquina colheitadeira. Porque ele já tem uma noção de maquinário”, comenta.
Beluca acredita que até que a mecanização da lavoura de cana se complete, o setor vai gradativamente se ajustando, inclusive com a inserção dos ex-cortadores em outras atividades. “Como a queima vai terminar de forma gradativa vai se havendo também, dentro deste período, os ajustes desse trabalhadores. Mesmo porque, tem outras culturas na região”, confirma
Ele lembra que muitos partem para outro tipo de ocupação nos centros da cidade. “Tem muitos trabalhadores que estão se ajeitando na própria cidade como serventes de pedreiro, por exemplo, porque as pessoas têm outras aptidões também”, conclui.