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Quando a história e a criatividade fazem falta


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Como bauruense nato e apaixonado pela cidade, escolhi como tema da minha dissertação de mestrado a Ferrovia e acabei encontrando, nas pesquisas o Aeroclube/Aeroporto de Bauru. O novo Aeroporto foi fundado em 1938, pelo então major do exército Américo Marinho Lutz, diretor da Estrada de Ferro Noroeste do Brasil e colocado no cargo em abril de 1937, alguns meses antes do golpe do Estado Novo (1937-1945), que criou a ditadura varguista. A inauguração aconteceu ao mesmo tempo em que foram feitas as homenagens de um ano a Marinho Lutz como diretor da NOB. Ele fundou o Aeroclube/Aeroporto a pedido-obrigação do presidente Getúlio Vargas, em 19 de abril de 1939, para formar pilotos e poder interiorizar o país através da aviação. Tal medida foi um sucesso e o Aeroclube/Aeroporto formou centenas de pilotos que puderam servir o país e realizar o sonho de voar.

São pilotos privados, campeões de Vôo a Vela, planadores, que levam o nome de Bauru pelo Brasil e pelo mundo, pilotos de caça e de transporte da Força Aérea Brasileira, enfim, cidadãos bauruenses e brasileiros que vêem a importância que o Patrimônio Histórico Cultural de cada cidade e nação têm. Apesar da sua importância histórica, econômica, paisagística, simbólica, algumas pessoas desinformadas querem que a Agência Nacional de Aviação Civil descredencie o Aeroclube/Aeroporto para poder loteá-lo, alegando que uma vez vendido os recursos gerarão asfalto e investimentos para a periferia. Tenho certeza, como cidadão bauruense, que a periferia sofrida da minha cidade merece asfalto, transporte, emprego, saúde e ensino de boa qualidade e, muito mais importante, ser tratada com respeito e não com desdém, como se fossem incompetentes para entender a importância histórica do Patrimônio Histórico Cultural da sua cidade, como se a única forma de conseguir o que é necessário fosse destruir o passado e por fim a um marco histórico cultural.

O tão almejado asfalto virá quando os nossos administradores e os nossos legisladores usarem a tão falada criatividade, e, com o auxílio dos seus partidos, conseguirem recursos junto ao Ministério das Cidades e outros órgãos da administração federal e estadual. Lendo nos jornais os resultados dos debates entre os candidatos a prefeitos e assistindo na televisão a propaganda política dos vereadores, percebe-se que a tal criatividade está ausente e alguns querendo a reeleição, partem para o caminho mais fácil: a destruição do passado para gerar recursos que o tempo rapidamente consumirá. Alguns políticos desinformados falam de um falso conflito para justificar seus atos dizendo que o Aeroclube/Aeroporto é um espaço que atende a uma pequena parcela da população e que, portanto, não fará falta, mas se usassem a tal criatividade administrativa/política estariam aperfeiçoando os projetos já existentes para colocar os pontos Históricos de Bauru no Currículo Escolar e conseguindo recursos para que todos os nossos jovens alunos pudessem , freqüentar os espaços preservados da nossa história na figura do Patrimônio Histórico Cultural remanescente. Quem sabe em alguma dessas visitas não surgiriam vocações aeronáuticas que poderiam se desenvolver no Aeroclube/Aeroporto com bolsas da iniciativa privada ou criadas pelo poder político?

O Aeroclube/Aeroporto despertou vocações como já foi dito, mas dois pilotos devem ser mencionados como exemplos: Ozires Silva e Marcos Pontes. Ozires Silva, oficial aviador, formado pelo Instituto Tecnológico da Aeronáutica foi o líder do grupo pioneiro que fundou a Embraer, além de outras atividades que o tornaram um dos currículos mais respeitados do Brasil. Esse currículo em sua maioria está ligado à questão aeronáutica brasileira. O ilustre bauruense desenvolveu sua paixão pela aviação ainda em Bauru no nosso Aeroclube/Aeroporto e Marcos Pontes também oficial aviador, é o primeiro Astronauta do Brasil, também com um currículo brilhante que inclui estudos feitos junto na antiga Escola Ferroviária, hoje inexistente. Devem ser citados em homenagem a todos os pilotos formados no Aeroclube/Aeroporto de Bauru que engrandecem o nome da nossa cidade no Brasil e no mundo. Tivessem um pouco mais de conhecimento da história da nossa cidade e um pouco mais de criatividade aqueles que pedem o descredenciamento do nosso Aeroclube/Aeroporto estariam lutando pela preservação desse espaço como algo indispensável para a história, economia, e lazer, da nossa cidade. Vamos usar a criatividade de verdade para gerar recursos necessários para atender a nossa sofrida periferia. O resto são falácias, incompetência ou coisa pior.

O autor, Fabio Pallotta, é professor de história do Colégio Fênix

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