Araraquara - Um motorista supostamente embriagado arrastou por 900 metros a auxiliar de escritório e estudante universitária Flaviana Barbosa, 27 anos, depois de bater na traseira da moto em que ela seguia com o namorado, na avenida Manoel de Abreu, estrada que liga Araraquara a Américo Brasiliense, em Araraquara (117 quilômetros de Bauru). O acidente ocorreu na noite do último sábado e Flaviana permanece internada em coma induzido e em estado grave na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) da Beneficência Portuguesa. Ela corre risco de morte.
Ela, que cursa o último ano de administração de empresas na Uniara, teve fraturas e queimaduras de terceiro grau em várias partes do corpo. O noivo dela, o auxiliar de escritório Thiago Henrique Oliveira Rabim, 23 anos, que foi jogado junto com a moto no acostamento, sofreu ferimentos leves.
O delegado plantonista Ricardo Farah prendeu o pintor de carros, Admilson Alves de Oliveira, 26 anos, acusado de crime de lesão corporal com base na nova lei de trânsito. Ao invés de prestar socorro, ele fugiu e acabou preso por acaso ao ser confundido com um ladrão de toca CDs.
O acusado foi transferido ontem da Cadeia Pública de Rincão para a Penitenciária de Araraquara. Segundo policiais que fizeram a escolta, ele aparentava tranqüilidade.
Na penitenciária, foi levado à ala de inclusão para onde vão todos os detentos recém-chegados. Agentes penitenciários acreditam no encaminhamento dele ao pátio do seguro, ou seja, no espaço reservado aos internos com rixas e sem periculosidade.
Um dos motivos seria preservar a vida do rapaz em razão da repercussão do caso. O jovem foi preso porque não teve dinheiro para pagar a fiança de R$ 1.210,00, estipulada pela polícia ainda na delegacia. A família dele deve buscar um advogado do Estado para tentar livrá-lo da cadeia. A polícia indicou no boletim de ocorrência (BO) que o jovem estaria embriagado.
Ele aceitou fazer exames de dosagem alcoólica no hospital e clínico no Instituto Médico Legal (IML). O resultado não foi concluído.
Depoimento
A reportagem obteve acesso ao depoimento do jovem à polícia. Nele, ele conta que tomou as três latas de cerveja durante a tarde enquanto lavava o carro com um amigo. Depois, saiu para buscar uma amiga antes de se envolver no acidente. Ele afirmou que não viu a moça presa no carro e que fugiu da batida porque temia o bafômetro. Ao ser avisado que havia arrastado Flaviana, ele temeu ser agredido pelos familiares dela e, segundo ele, desesperado, foi embora. Por fim, o motorista confessou estar arrependido.
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Família quer justiça
Araraquara - A família da auxiliar de escritório e universitária Flaviana Barbosa exige justiça e espera uma punição severa do caso. O fato ganhou repercussão nacional, tamanha a violência causada pela cena.
“Eu estava em casa com a minha esposa quando fomos avisados do acidente e que era grave. Realmente, ela está muito machucada e passou a noite fazendo cirurgia”, conta o pai João Batista Barbosa Neto, 63 anos, ainda emocionado com a situação. A esposa, Elza Barbosa, não consegue falar sobre o assunto. “Me desculpe. Não estou em condições meu filho”, alega a senhora visivelmente abatida enquanto retira a foto da filha do porta-retrato.
O pai de Flaviana vem acompanhando cada notícia passada pelos médicos. “Eles nos disseram que o quadro é estável, mas ela corre risco sim.” A família toda procura entender o que tenha levado o pintor de carros a acelerar o Santana e arrastar a garota. “Acidente acontece com todo mundo e é uma fatalidade. Mas pelo que soubemos ele parou o carro e, depois, acelerou e saiu cantando pneus. Foi aí que a minha filha ficou presa e foi arrastada”, conta.
Barbosa Neto não se conforma com a violência e, por enquanto, segundo ele, ainda não teve tempo para pensar na situação do motorista que arrastou Flaviana. “Só tenho cabeça para pensar nela. Estamos torcendo e rezando para que ela supere essa.” A família vem recebendo telefonemas de vários amigos para prestar solidariedade. “Até uma amiga nossa que mora no Japão viu o caso na Internet e ligou aqui”, conta a mãe.
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Como aconteceu
Araraquara - O pintor de carros Admilson Alves de Oliveira, 26 anos, havia tomado cerca de três latinhas de cerveja em casa, segundo sua própria versão, e saiu para dar uma volta com uma amiga. Na rodovia municipal, ele não viu uma moto que seguia na pista da direita. “Eu não vi nada e quando estava em cima não consegui frear e bati na traseira deles”, conta o jovem. “Estou em choque”, completa.
O namorado de Flaviana, o auxiliar de escritório Thiago Henrique Oliveira Rabim, 23 anos, foi jogado junto com a moto no acostamento. A garota ficou presa no eixo, embaixo do carro. “O motorista não parou e seguiu embora com a menina presa. Testemunhas nos disseram que ele fez ziguezague provavelmente percebendo que algo prendia o veículo”, disse o tenente Amauri Demarzo, da PM.
Motoristas de outros carros deram sinal para que o pintor parasse até ele estacionar. Ao perceber que havia atropelado Flaviana, segundo a PM, o rapaz acelerou o carro, um Santana, 96, e fugiu. Ele deixou a amiga em um bairro da cidade, estacionou o carro e pediu um mototaxi.
Os policiais acreditam que ele fosse sair de Araraquara. Ele nega. “Eu estava indo na casa de uma amiga pedir ajuda.”
A placa do carro foi anotada, mas, por estar com pendências administrativas, o endereço não apareceu no cadastro da polícia. Coincidentemente, uma outra equipe da PM desconfiou do motorista próximo ao Terminal Rodoviário. Ele estava com o toca CDs do próprio Santana que havia tirado para evitar um possível furto. Confundido com um ladrão, confessou ser o autor do acidente.
Flaviana foi socorrida pela Unidade de Terapia Intensiva (UTI) móvel do Samu ao hospital em estado gravíssimo. Ela teve várias fraturas pelo corpo. O namorado sofreu ferimentos leves. O motorista, supostamente embriagado, fez exame de dosagem alcoólica e exame clínico no Instituto Médico Legal (IML) de Araraquara. A polícia da cidade não tem bafômetro.