Curitiba - Um juiz federal de Umuarama (580 quilômetros de Curitiba) foi preso no último sábado sob suspeita de envolvimento em atentado contra outro magistrado federal da cidade. O juiz Jail Benites de Azambuja, da 2.ª Vara da Justiça Federal no município, teve a prisão temporária decretada pelo Tribunal Regional Federal da 4.ª Região (TRF-4). É suspeito de participação no atentado, no último dia 19, contra seu colega e juiz federal Luiz Carlos Canalli, diretor do fórum da Justiça Federal na cidade.
Além de ser investigado pelo atentado contra Canalli, quando mais de dez tiros foram disparados contra a casa do juiz, Azambuja é suspeito de ter forjado, em fevereiro, um atentado contra si, quando disparos atingiram seu carro.
A defesa de Azambuja negou ontem as duas suspeitas. As investigações correm em segredo de Justiça.
O juiz e três policiais militares do Paraná são investigados por suspeita de participação em um esquema de contrabando, segundo apurou a reportagem.
O juiz é suspeito de agir no arquivamento de processos contra acusados na Justiça Federal de Umuarama. O falso atentado contra si seria uma tentativa de desviar a atenção de investigações sobre sua atuação.
A criação há dois anos, pela Receita Federal, de um sistema mais rígido de fiscalização em Foz do Iguaçu (PR), na fronteira com o Paraguai, provocou um deslocamento do crime organizado para a região de Guaíra e Umuarama.
Os três PMs do Paraná -um cabo, um tenente e um tenente da Polícia Rodoviária Estadual - sofrem processo de expulsão da corporação. A Polícia Federal também investiga eventual participação dos três PMs nos falsos atentados.
Em março, após suposto atentado que atingiu seu carro, Azambuja decretou a prisão de 47 pessoas, suspeitas de integrar esquema de contrabando. As prisões foram revogadas uma semana depois, e o juiz passou a ser alvo de investigação interna do TRF-4.
Azambuja também foi removido da Justiça Federal em Umuarama e proibido de ingressar no prédio da instituição. A Corregedoria do TRF irá analisar os processos criminais arquivados pelo magistrado.
A reportagem também apurou que o atentado contra o juiz Canalli seria uma tentativa de Azambuja de evitar sua remoção de Umuarama. Sistemas de vigilância eletrônica em casas de vizinhos de Canalli mostraram um carro de Azambuja passando próximo ao local no momento do atentado.
Canalli não fala sobre o episódio. Pessoas próximas ao magistrado disseram que ele está chocado, pelo fato em si e pela suspeita de envolvimento de um colega de trabalho.