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Imprensa livre é fundamental


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A polícia de Santa Bárbara do Oeste, distante 135 quilômetros de São Paulo, está à procura de dois homens que incendiaram o automóvel do diretor do jornal daquela cidade, vítima de recente tentativa de assalto. Aquilo que parece um crime comum pode ser uma grande ameaça à sociedade. É preciso encontrar os responsáveis pelo atentado e descobrir a sua motivação. Se for um apenas um ato de vandalismo, menos mal. Mas se os vândalos estiverem tentando calar o meio de comunicação, é grave.

A imprensa é uma das mais poderosas forças da sociedade e alavanca das conquistas do povo. Através do meio de comunicação, a comunidade tem a oportunidade de cobrar as autoridades sobre os problemas que a afligem. O descontentamento veiculado é capaz de criar o caldo de cultura e levar às soluções almejadas pela maioria.

O Brasil, felizmente, há mito tempo já não possui veículos de comunicação atrelados a partidos ou facções políticas. Na atual configuração, podem haver preferências e até tendência mas os veículos são independentes. Exceto aqueles oficialmente definidos como porta-vozes de agremiações ou grupos.

Justamente pela sua independência e vínculo principal com o interesse comunitário é que os jornais, estações de rádio e TV e até os sites de internet possuem personalidade que transcende à de seus donos ou controladores. Esses veículos têm “vida própria” e assim devem ser encarados. Quem ousar combatê-los de forma criminosa, certamente perderá seu tempo e enfrentará problemas. Quem se dispuser a combater o que faz um órgão de imprensa, deve fazê-lo às claras, no terreno das idéias, jamais com truculência. Dessa forma poderá, até, contribuir para o avanço da sociedade.

A democracia exige imprensa livre, descomprometida e voltada para os interesses comunitários. É através do seu serviço que as idéias fluem, os contrários se manifestam e o processo evolui. A história do Brasil é testemunha. Todas as vezes que a democracia esteve em crise aguda, o primeiro setor a sofrer as conseqüências foi a imprensa. Jornais foram empastelados, ocupados, confiscados e colocados a serviço de golpistas ou totalitários que, via de regra, se aproveitaram da crise. Nunca se viu uma época em que a imprensa foi arrolhada e as instituições permaneceram intactas. Até em momentos em que o próprio governo pretendeu quebrar o jarro, a liberdade de imprensa foi fundamental para a manutenção da ordem e da constitucionalidade. Quando a imprensa já não tem mais forças, tudo está perdido... Vez ou outra jornais, jornalistas e meios eletrônicos de comunicação são vítimas da intolerância. Para o bem geral, essas atitudes precisam ser energicamente combatidas. Em todo lugar onde não há liberdade de comunicação, o que predomina é a escuridão e quem sofre é o povo...

O autor, Dirceu Cardoso Gonçalves, é tenente e diretor da Associação de Assistência Social dos Policiais Militares de São Paulo - Aspomil - e-mail: aspomilpm@terra.com.br

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