Os últimos dias da campanha eleitoral mostram o esforço dos candidatos para conquistar votos, sobretudo nos bairros mais periféricos de Bauru. Ontem, ao acompanhar agendas dos quatro principais candidatos ao Palácio das Cerejeiras, a reportagem verificou no corpo-a-corpo que os candidatos se desdobram para se adequar aos diferentes ‘públicos-eleitores’.
Às 16h50 de ontem, por exemplo, Rodrigo Agostinho (PMDB) entrava no Núcleo Gasparini. Com a ajuda de um rádio HT, o fiel escudeiro Rubito tentava localizar outros dois veículos, com som, que iriam ajudar na divulgação da caminhada pelo bairro.
O peemedebista percorreu as ruas, cumprimentou moradores e visitou estabelecimentos comerciais. Às 17h15, Agostinho já estava na Pousada da Esperança, onde continuou a fazer o corpo-a-corpo com populares. No trajeto, ouviu de tudo: “precisamos de asfalto”, “esqueceram de nosso bairro”, o “Núcleo de Saúde não funciona”, etc.
O ‘apogeu’ da campanha diária de ontem, porém, aconteceu às 17h30, exatamente no horário em que a presença de Agostinho nas ruas coincidiu com a saída de dezenas de estudantes, a maioria crianças. A moçadinha cercou o candidato nas ruas. Em determinado momento, Rodrigo fez brincadeiras e improvisou palavras de ordem. O desafio de Rodrigo é que o carisma junto às crianças contagie quem realmente vai às urnas, os pais.
Se um estava na Pousada, outro realizou encontro em pleno Jardim TV, onde as ruas de terra predominam. Às 21 horas de ontem, lá estava o tucano Caio Coube, conversando com moradores em uma garagem de uma casa ainda com reboco por fazer.
Depois de pedir apoio e voto, o candidato que lidera as pesquisas de intenção de voto reforçou algumas de suas propostas direcionadas a este público (criar oportunidades e enfrentar o desafio da infra-estrutura). Acompanhado do vice na chapa, Clemente Rezende (DEM), Caio ainda ouviu de um grupo proposta de implementação de projeto vôo circular controlado, de aeromodelismo. A sugestão é que a pista seja instalada na região do Distrital Edmundo Coube, que está em processo de reforma junto à prefeitura.
A agenda de campanha do dia estava concluída, mas dois moradores, Zé Peba e Jairo Fininho, convidaram o tucano para ouvir uma moda de viola. A dupla mostrou músicas do repertório caipira, como Chico Mineiro e Menino da Porteira, enquanto Caio se esforçava em colaborar com o improviso, cantarolando trechos dos clássicos sertanejos.
Corpo-a-corpo popular
Pela quarta vez na campanha eleitoral, a candidata a prefeita Rosa Izzo (PDT) voltou ontem à tarde ao bairro Ferradura Mirim no corpo-a-corpo com o eleitorado. Recebida por mulheres e crianças, a pedetista disse que não confia nas pesquisas eleitorais. “Não é o que estou sentindo na conversa com o eleitorado”, declarou ao responder sobre pesquisa de intenção de voto.
Rosa Izzo investe na campanha no eleitorado de periferia. Ontem cada vez que cumprimentava uma dona-de-casa, escutava referência à iluminação pública feita na gestão do marido da pedetista, o ex-prefeito Izzo Filho.
Desde o início da campanha, a assessoria da pedetista soma 300 reuniões. O candidato a vice, Antonio Carlos Barbosa, chegou uma hora depois. Ele fazia campanha em outro ponto da cidade. “Não temos recursos para uma campanha mais intensa, por isso temos se dividido”, disse o candidato a vice.
Rosa prometia, se eleita, asfaltar as duas entradas do bairro e a regularização da área. Em 30 minutos que a reportagem acompanhou a candidata, os moradores reclamavam do “esquecimento das últimas administrações”. “Não somos bichos, mas ninguém vem aqui”, reclamou uma mulher ao cumprimentar a pedetista.
O candidato do PV, Clodoaldo Gazzetta, marcou ontem uma panfletagem para os pontos de ônibus na avenida Rodrigues Alves no final da tarde. Com 1 hora e 20 de atraso por estar em outro compromisso de campanha, ele teve que mudar a estratégia de entregar um jornal de campanha no cruzamento da 13 de Maio com Rodrigues Alves, porque já não havia movimento.
Gazzetta aposta todos seus cartuchos de campanha no debate de amanhã da TV TEM. Ele se considera preparado para enfrentar a bateria de perguntas e o tempo escasso. Na opinião de Gazzetta, o desempenho no debate define os candidatos que vão ao 2º turno.
Segundo ele, a campanha do horário eleitoral gratuito na TV só enaltece o candidato forjado pelo marqueteiro. “O eleitorado percebe nos debates e no corpo-a-corpo que aquela figura que vê na TV não é a mesma da realidade”, disse.