Ainda sem conseguir negociar reajuste salarial com a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban), metade das 54 agências de Bauru devem continuar em greve hoje, por tempo indeterminado. A decisão foi tomada em assembléia realizada ontem na sede do Sindicato dos Bancários de Bauru e Região, depois que as bases sindicais de nove Estados brasileiros se manifestaram pela manutenção da paralisação.
Apenas as agências locais da Nossa Caixa retornam ao trabalho, já que eram as únicas em todo o Estado a cruzar os braços. “Eles (os funcionários da Nossa Caixa) ficaram isolados, então decidimos redimi-los desta responsabilidade”, revela o diretor do sindicato Marcos Lenharo.
A partir das 7h da manhã, os grevistas se reunirão em frente à agência da Caixa Econômica Federal da avenida Nações Unidas, de onde seguirão para as portas das agências para pressionar os bancários que forem trabalhar. Com isso, a previsão do sindicato é que o movimento ganhe mais força e a paralisação seja completa nos próximos dias.
A greve começou após os bancos oferecerem aos bancários um reajuste de 7,5% nos salários, bem abaixo dos 31% reivindicados pela categoria. Segundo Lenharo, o índice pedido é referente às perdas dos últimos anos. A estimativa da categoria é que os vencimentos estejam com defasagem de 31%, contados desde o governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Além disso, eles também exigem contratação de mais funcionários, já que o déficit de mão-de-obra é apontado como o maior causador de filas nas agências.
Na semana passada, a categoria recebeu proposta de reajuste salarial divulgada pela Fenaban. Os termos oferecem reposição de 7,5% nos vencimentos, incidindo sobre benefícios como ticket e cesta alimentação, além de participação nos lucros equivalente a 80% do salário do funcionário, acrescida do valor fixo de R$ 943,00, porém limitada a salários de aproximadamente R$ 2.500,00.
Além de reajuste salarial de 31%, os bancários reivindicam a participação linear nos lucros, sem limite de salários, e gratificação de R$ 3.500,00. Outros benefícios, como seguro-creche e auxílio funenário, também foram oferecidos pela Fenaban. A proposta patronal foi rejeitada em assembléia realizada anteontem pelos bancários.
Na manhã de ontem, Lenharo afirmou que o movimento estava dentro das expectativas para o primeiro dia de greve. “O primeiro dia é sempre complicado, mas estamos otimistas porque 27 agências já pararam”, frisou, afirmando que os diretores do sindicato iriam percorrer as unidades que ainda não tinham aderido à greve para que o fizessem, ampliando a paralisação.
“Também enviamos fax para as agências no sentido de informar os bancários sobre quais agências paralisaram suas atividades”, completa o diretor Paulo Tonon. Em Lençóis Paulista, por exemplo, cinco das sete agências aderiram ao movimento. “Só não pararam mais bancos porque não conseguimos chegar às outras cidades”, aponta.
Dois pedidos
Em relação às negociações, Tonon afirma que o sindicato não está discutindo o assunto diretamente com a Fenaban devido a um “problema político”. “Enviamos nossa pauta e disseram que somente poderiam negociar mediante a Justiça. Optamos então, através de mobilização, pressionar os banqueiros”. O sindicato de Bauru é filiado à Conlutas.
Já os bancários de Bauru e região filiados à Central Única dos Trabalhadores (CUT) negociam diretamente com a Fenaban e reivindicam aumento de 13,5%, divididos entre 7,5% como reposição da inflação e 6% de aumento real.
Ainda na noite de hoje, às 18h, nova assembléia será realizada por ambas as correntes sindicais para avaliar a evolução do movimento. “Iremos decidir os rumos que o movimento toma de acordo com o que acontecer durante todo o dia de amanhã (hoje), seguindo o que ficar definido em âmbito nacional”, comenta Tadeu Barbosa, diretor regional dos bancários da CUT.
Procurada pela reportagem, a assessoria de imprensa da Federação Brasileira de Bancos (Febraban) informou que não há levantamento oficial - local e estadual - sobre o número de agências bancárias atingidas pelo movimento. O órgão espera que os sindicatos, por meio de suas confederações, enviem uma contraproposta para a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban), considerado o braço sindical da Febraban e responsável pelas negociações, que se aproxime da oferta de reajuste de 7,5% oferecidos.
Ainda de acordo com o órgão, a população tem à disposição uma série de outros canais de atendimento, tais como Internet banking, correspondentes (casas lotéricas, correios, farmácias e supermercados), serviços de auto-atendimento das próprias agências, além do telefone.