Um animalzinho pequeno, de não mais de 23 centímetros de comprimento e pesando menos de um quilo, está se tornando visita freqüente nas residências de Bauru. Trata-se do ouriço, roedor que possui espinhos em seu dorso que podem machucar pessoas e animais domésticos, se não forem tomados alguns cuidados.
Ontem, mais um deles foi encontrado na área urbana, desta vez no quintal de uma casa localizada na quadra 1 da rua Antonio Moreno Munhoz, no Núcleo Octávio Rasi. De acordo com o morador Eduardo Simini, 24 anos, ele acordou por volta das 5h30 com o barulho de seu cachorro latindo no quintal. “Eu até pensei que era um gato, mas quando saí nos fundos vi meu cachorro com o focinho todo espetado”, conta.
O ouriço estava acuado, escondido atrás de um tambor, que foi utilizado para isolá-lo até que a Polícia Ambiental chegasse. Capturado pelos policiais com luvas e equipamentos apropriados, ele foi devolvido ao seu habitat. Conforme o JC noticiou, no início deste mês outro ouriço já havia sido recolhido pelo Corpo de Bombeiros em uma árvore em frente a uma peixaria nos Altos da Cidade.
Comum nas áreas de cerrado de Bauru e região, o ouriço possui hábitos noturnos e se alimenta principalmente de frutas, insetos e lesmas. Com as crescente urbanização, que reduziu drasticamente os corredores de mata, este animal passou a viver isolado em verdadeiras ilhas verdes, conforme explica o zootecnista Luiz Pires, diretor do Zoológico Municipal de Bauru.
“Muitas vezes, nestas ilhas, eles não encontram todo o sustento necessário para sua sobrevivência e vão para as áreas urbanas em busca de alimento”, comenta. Ele relata que este hábito também vem sendo adotado, ao longo dos anos, por outros tipos de animais, como gambás, corujas e maritacas.
No caso do ouriço, a orientação é ignorá-lo se não houver crianças e animais em casa. Caso contrário, é necessário acionar o Corpo de Bombeiros ou a Polícia Ambiental para realizar a recolha segura do animal.
Embora não seja considerado perigoso, Pires alerta que o ouriço pode machucar animais e crianças desavisadas que tentarem tocá-lo. Isso porque o roedor, quando atacado, se enrola até formar uma bola e distende os espinhos, que se transformam em poderosas armas contra seus agressores.
“Ao contrário do que as pessoas pensam, ele não lança os espinhos, apenas chacoalha o corpo até que eles se soltem. Para que os espinhos fiquem presos em alguém, é preciso que haja uma pressão externa”, detalha o zootecnista.
Ele cita que os espinhos não são venenosos, mas são difíceis de serem retirados porque possuem farpas nas pontas, que se prendem ao corpo do agressor como se fossem anzóis. Por isso, a orientação é procurar um veterinário (em caso de animal) ou um médico para minimizar a dor e evitar infecções quando forem extraídos.
Foi o que Simini fez com o seu cachorro, um vira-lata de porte médio, que foi levado ao veterinário com 14 espinhos presos ao focinho. Depois de medicado, ele passa bem.